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Good Riddance

2023 •

Interscope

6.5
Gracie Abrams encanta e ilude ao mesmo tempo no seu primeiro álbum.
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Good Riddance

2023 •

Interscope

6.5
Gracie Abrams encanta e ilude ao mesmo tempo no seu primeiro álbum.
07/03/2023

Sendo uma artista novata e lançando o seu primeiro álbum de estúdio, Gracie Abrams mostra bastante capacidade lírica, mas pouca personalidade musical. Seja por falta de filtrar suas inspirações, seja pela ambição de ser grandiosa e superar expectativas, a cantora não imprime quem ela é em Good Riddance.

Quando esse disco foi anunciado, houve um burburinho muito grande pela Internet, pelo fato de ter sido produzido pelo grande Aaron Dessner. Todos esperavam que seria um projeto mais etéreo, juntando-se com outros trabalhos do produtor. E eles estavam certos. Good Riddance é um bom exemplo de que não podemos pegar inspirações de apenas um lugar, musicalmente falando. Existe uma atmosfera no álbum de Gracie que simplesmente remete ao ano de 2020. Algumas canções poderiam ter entrado facilmente em discos que foram lançados naquele ano, como o Punisher, de Phoebe Bridgers, e folklore, de Taylor Swift. Ambos carregam uma melancolia absurda em si, e isso se torna um grande reflexo do primeiro álbum de Abrams. Músicas como “Right now” e “Amelie”, conseguem juntar o melhor dos dois discos, até mesmo em uma produção vocal muito parecida: sussurrada e abafada, que lembra alguns artistas do dream-pop. 

Contudo, isso não é uma razão para achar o disco mal-feito. Ele tem uma produção impecável, muito rica em instrumentação e camadas, e as músicas se conectam bem umas às outras, de forma que você tem a sensação de ouvir um álbum, e não um conjunto de canções que não conversam entre si. Porém, após passar por essa questão, existe outra: todas as faixas se parecem muito. Algumas delas, até começam da mesma maneira – um ukulele, um violão. Dessa forma, você se sente ouvindo versões diferentes de algo que você já ouviu anteriormente. Sim, por ser um álbum, as canções não podem destoar muito. Mas, faltou um pouco de coragem em tomar riscos.

Liricamente, o conjunto de faixas reflete quem Gracie é: uma jovem que está redescobrindo sua vida amorosa e relembra experiências passadas. Esse disco é recheado desses dois temas: um ex-namorado não superado em “This is what drugs are for”, não amar alguém de volta é “Where do we go now?” e uma tentativa fracassada de resolver assuntos pendentes na canção “Difficult”. Mesmo não existindo uma variedade de temas, a artista consegue falar deles de uma forma simples e fácil de entender, como se estivesse escrevendo em um diário. Isso é bacana, pois é uma maneira de se conectar de forma mais direta com seu público e fazer com que eles entendam as canções sem precisar de outras ferramentas. Porém, isso diminui a profundidade do álbum – por que ficaria tempos pensando sobre esse projeto, se absolutamente tudo dele já está mastigado?

Gracie tem uma linda voz, escreve bem, mas falta algo. A artista precisa se achar. No meio de tantas inspirações e tanta vontade de fazer algo memorável, podemos nos perder e não criar nada que seja de fato lembrado. E, aqui, o caso é esse. O disco é bem produzido, tem todos os atributos. Mas, de tanto querer ser algo, terminou não sendo nada. Esse disco causa vontade de conhecer melhor a artista que o fez, mas você sabe menos dela do que sabia antes.

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