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Stamp On It

2023 •

SM Entertainment

4.2
A subunidade GOT the beat, do supergrupo Girls On Top, é o pior acontecimento da SM Entertainment desde a saída de Min Heejin da empresa.
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Stamp On It

2023 •

SM Entertainment

4.2
A subunidade GOT the beat, do supergrupo Girls On Top, é o pior acontecimento da SM Entertainment desde a saída de Min Heejin da empresa.
26/01/2023

Em 2019, a SM Entertainment, em parceria com a Capitol Records, lançou um de seus empreendimentos mais audaciosos no k-pop: o supergrupo apelidado de SUPERM. Formado por integrantes dos grupos masculinos SHINee, EXO, NCT e WayV, o SUPERM tinha como principal objetivo ser um cruzamento de todo o universo explorado por esses artistas na empresa, que começava a explorar alguns conceitos visuais e musicais envoltos de tecnologia — uma novidade na época, considerando o histórico de pioneirismo da companhia.

Financeiramente, a ideia de gerar esse supergrupo realmente funcionou. Recordistas de vendas, eles se tornaram o segundo nome na história do k-pop a liderar o topo da Billboard Hot 200, principal parada dos Estados Unidos, feito nunca alcançado pela SM após a expansão da indústria sul-coreana a partir da metade da década de 2010. Do ponto de vista artístico, eles também surpreenderam ao apresentar uma abordagem mais barulhenta e agressiva do que estavam acostumados em seus grupos fixos. Após alguns lançamentos, o SUPERM entrou em um período de hiato por tempo indeterminado. Especula-se que o motivo dessa paralisação se deva aos compromissos obrigatórios, ou até mesmo, à má gestão da empresa que não soube conciliar a agenda dos membros do projeto.

O fato é que toda essa situação, envolvendo o SUPERM, acabou gerando uma péssima impressão dos trabalhos futuros da SM Entertainment, que sempre foi conhecida por criar tendências e desenvolver toda a base na qual o k-pop se sustenta hoje em dia. Claramente, muitas pessoas passaram a ver o supergrupo como um ato falho; uma ideia incapaz de se sustentar a longo prazo. Infelizmente, os percalços do SUPERM acabaram se somando ao desfalque sofrido em decorrência da saída de Min Heejin da direção criativa da empresa, em 2018.

Hoje, enquanto Min Heejin possui o seu próprio selo e o seu próprio grupo de sucesso — o NewJeans —, a SM parece regredir e cometer os mesmos erros do passado, decidindo, na pior das hipóteses, investir em um novo supergrupo que, dessa vez, é formado por integrantes dos grupos femininos Girl’s Generation, Red Velvet, aespa e a solista BoA. Claro que estes são nomes de peso, logo o impacto seria iminente. Mas, ao contrário do que se pensa, nem mesmo essas figuras emblemáticas do k-pop conseguem anular o fato de que o trabalho realizado por elas é extremamente desinteressante. E o primeiro disco dessa empreitada, Stamp On It, é um completo desastre.

Sem a inovação tecnológica ou musical que pelo menos sustentou o SUPERM, o GOT the beat parece disposto a explorar um conjunto de descartes qualquer. Visualmente, os cenários e as fotos promocionais nem parecem ser algo que a SM Entertainment faria. Mais do que um completo erro, esse lançamento é uma vergonha. 

A faixa-título, “Stamp On It” repete a fórmula R&B misturada com texturas clássicas, neste caso, um groove de piano acentuado e linhas de baixo. O erro está, entretanto, na tentativa da produção em misturar vocais contrastantes e retirar algumas características marcantes como a habilidade do Red Velvet e Girl’s Generation de passar por versos percussivos. Na sequência, “Goddess Level” procura transmitir uma visão poderosa definida por batidas de trap, mas acaba soando como uma canção sem jeito do BLACKPINK. Em “Rose”, o trap desajeitado segue a todo vapor, porém, com mais sutileza e ganchos inesperados — talvez o EP todo devesse seguir por esse caminho.

Curto e sem nenhuma notoriedade, Stamp On It já pode ser considerado um dos piores lançamentos de k-pop dos últimos anos. O disco escancara o motivo pelo qual a SM vem perdendo força de mercado: persistir em um modelo batido e pouco eficaz de produção e divulgação. A indústria atualmente respira novos ares e ao ignorar isso, a empresa cria rupturas que só prejudicam a sua própria imagem. A sucessão de erros é incômoda, porém, nada pior do que a insistência criativa da companhia em continuar com projetos desastrosos como Girls On Top. No final de tudo, resta apenas uma pergunta: o que esperar de um ano cuja principal prévia é uma imensa decepção?

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