“King”
2022 • ALTERNATIVO/POP • UNIVERSAL MUSIC
POR BRINATTI; 28 de FEVEREIRO de 2022

Avaliação: 3.5 de 5.

Após diversas especulações, Florence + The Machine dá início a uma nova era. A banda que nos últimos dias, enviou cartões e cartas aos fãs escritos “Chapter 1”, dando continuidade ao rumor sobre o seu retorno, na última quinta-feira (23) disponibilizou em todas as plataformas digitais seu novo single “King”. Esse é o primeiro lançamento do grupo após o último álbum High As Hope, lançado em junho de 2018 e “Call Me Cruella”, lançado em 2021 para o filme “Cruella”, estrelado por Emma Stone.   

Aqui, Welch não deixa seu lado místico de fora, trazendo referências como o termo “changeling”, elemento da crença popular Europeia, que se traduz de forma literal em “criança trocada”. Esse aspecto condiz com o que pode vir a ser chamado de “prole de fadas”, sendo esse, considerado uma criatura lendária que foi deixada em troca de uma criança humana para usos específicos a desejos de serviços humanos. Nesse sentido, a artista em sua canção, faz uma relação entre a mulher e o termo “changeling”, ou seja, buscando de forma metafórica, expor papéis definidos por gêneros, como alguém que está sempre em busca de mudanças e forças em prol do homem, expondo conflitos em relação a imagens masculinas, que independente da situação, já é marcado pelo seu sucesso. “Querer ser uma artista, mas também querer uma família, pode não ser tão simples para mim quanto para meus colegas homens. Eu tinha como modelo quase exclusivamente os artistas masculinos e, pela primeira vez, senti um muro entre mim e meus ídolos, pois tenho que tomar decisões que eles não tomaram”, relata a cantora. 

Além do clipe oficial de King, Florence também disponibilizou em seu canal no YouTube, a performance de “Rabbit Heart”, faixa presente em seu álbum Lungs, lançado em 2009. Mas afinal, qual sentido teria em lançar a apresentação depois de treze anos, momentos antes do lançamento do clipe que daria início ao seu novo projeto? A questão é que, “Rabbit Heart (Raise it Up)” e “King” se conectam de alguma forma. Na primeira canção em questão, trechos como “MIDAS IS KING AND HE HOLDS ME SO TIGH”, “WE RISE IT UP THIS OFERING” e “READY FOR THE FINAL SACRIFICE” se destacam sobre a sua narrativa a respeito da história do Rei Midas. Em, “King”, a artista discorre sobre a feminilidade em tom de manifesto, a mesma se diz estar preparada para o sacrifício final, destacando aqui, o que pode ser considerado um grito de liberdade: “I am no mother / I am no bride / I am King.” 

Dessa vez, Florence se arrisca e tem como coprodutor Jack Antonoff, conhecido pelas colaborações e produções com grandes nomes, como Lorde, Lana Del Rey, Taylor Swift, St. Vicente e outras. Embora a colaboração pudesse vir a ser considerado algo falho, aqui ela culmina perfeitamente com os trabalhos anteriores. As letras carregadas, além dos vocais controlados e moderados, fez com que ela entregasse um trabalho mais maduro. Saliento que, para um single que marca o retorno do grupo, de fato não é algo grandioso, mas ainda assim é perceptível como a canção soa de forma ambiciosa, criando uma ponte que a distancia de algo que possa vir a ser considerado um trabalho genérico.