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Dance Fever

2022 •

Universal Music

7.8
Após quatro anos, vemos que Florence + The Machine continua com força total e retorna ao seu poder de escrever canções que ressoam com todos nós.

Dance Fever

2022 •

Universal Music

7.8
Após quatro anos, vemos que Florence + The Machine continua com força total e retorna ao seu poder de escrever canções que ressoam com todos nós.
16/05/2022

No quinto álbum da banda, Florence + The Machine reflete sobre o tempo de isolamento, amor, luto e revolta. A maior parte dos temas vem de como a pandemia afetou o mundo todo, mas principalmente, afetou Florence como pessoa, fazendo com que ela precisasse menos do apoio do público, ficando sozinha a própria sorte, com seus pensamentos e manias.

Primeiramente, é muito interessante ver como Florence conseguiu prever, de certa forma, onde estaríamos com a pandemia: em isolamento total, agarrados em momentos do passado e um desejo de retomar nossas vidas. A maior parte das músicas que tratam sobre isso, foram escritas antes. “Free” e “Choreomania” são alguns exemplos. Parece que o álbum nasceu predestinado a ser conectado com esse evento fatal que atingiu a humanidade por inteiro, pois ele começou a ser desenvolvido uma semana antes do lockdown se tornar obrigatoriedade. E, ao voltar para Londres, foi quando a artista precisou enfrentar seus demônios e encarar uma realidade cruel, de onde tirou toda a inspiração para o disco. Desta forma, Dance Fever é uma coleção de músicas em que a artista reflete sobre todas as questões que lhe assombram, que causa ressentimento e Florence luta contra, mesmo que isso signifique lutar contra si mesma. Mas, é inevitável, às vezes é muito desconfortável ser uma artista, pois a presença física do público é fundamental. E ela perdeu isso completamente em 2020 e 2021. 

Sobre as questões técnicas, o disco consegue ser bem sombrio e divertido ao mesmo tempo que é esperançoso e ritualístico, brincando muito com essa dualidade — uma coisa recorrente no projeto — te mantendo entretido o tempo inteiro. Ainda dentro do entretenimento, a forma como a dança foi explorada aqui é fenomenal. A artista conseguiu transformar uma paixão sua, nunca explorada em nenhum álbum, em algo digno de atenção e tema de todo um disco. Além disso, o tipo de dança é muito interessante, pois é baseado em um estilo levemente macabro. Contudo, Dance Fever não é perfeito. É um disco que, por tratar de temas similares e ultrapassados para algumas pessoas — afinal, a pandemia foi tranquilizada há algum tempo — pode se tornar cansativo. Talvez, pelo último álbum não ter sido bem recebido pelos fãs fiéis e pela crítica, é possível que isso tenha influenciado o interesse pelo projeto.

Após quatro anos, vemos que Florence + The Machine continua com força total e retorna ao seu poder de escrever canções que ressoam com todos nós de certa forma. Com um registro que traz uma forma intragável de ver a pandemia e seus efeitos, seja dançando sob seus problemas ou enfrentando uma dura realidade, Florence faz com que todos voltemos ao seu culto — ou seita — não por obrigação, mas porque gostemos.

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Para um single que marca o retorno do grupo, de fato não é algo grandioso, mas ainda assim é perceptível como a canção soa de forma ambiciosa.
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