Optimist
2021 • POP • INTERSCOPE
POR GERSON MONTEIRO; 25 de OUTUBRO de 2021
6.5

Finneas Baird O’Connell, mais conhecido como FINNEAS, é um cantor e produtor que tem agitado o cenário musical atual. Sendo conhecido principalmente pelo seu trabalho com a sua irmã Billie Eilish, o artista tem sido um componente essencial para a composição e evolução da artisticidade dela, principalmente em termos de instrumentação, causando euforia ao público, que fica obcecado com sua sonoridade. O EP Blood Harmony, lançado em 2019, apresentou o potencial de FINNEAS como artista solo, mas será que agora, com o seu primeiro álbum de estúdio, ele consegue atingir novos patamares?

A produção de Optimist é o ponto mais forte do projeto. As faixas “The 90’s” e “How It Ends” salientam o talento incrível do artista nesta vertente musical. A primeira música fala sobre o cantor querer voltar a um mundo sem Internet e como é difícil ficar são e salvo neste mundo moderno, onde quase todas as informações sobre todos, especialmente celebridades, são exibidas online. A atmosfera da canção é sombria, com vários elementos de eletropop e alguns sintetizadores obscuros, que simpatizam com a escuridão do tema lírico. Em contraste, a segunda canção é mais dançante e mostra que o músico também sabe trabalhar com tons mais alegres e divertidos, trazendo uma mistura de disco dos anos 80 com pop contemporâneo.

Apesar de todos esses aspetos positivos referidos até agora, O’Connell ainda está perdido a encontrar a sua identidade artística. Optimist origina a sensação de que o potencial do artista não está sendo totalmente aproveitado, condicionando problemas na estrutura e concretização do seu trabalho. Várias músicas no projeto soam como descartes de outros projetos do produtor com outros artistas, por exemplo, Eilish. A música “Around My Neck” parece uma versão degenerada de “Oxytocin”, do Happier Than Ever, com a mesma estética e um ritmo extremamente parecido. Isto acontece numerosas vezes ao longo do álbum, evidenciando que, apesar das ideias serem principalmente dele, parece que, ele guarda as partes inferiores para o seu trabalho a solo, deixando tudo para segundo plano. Outro problema no projeto são as suas composições. Ainda que a maioria das letras sejam decentes, FINNEAS não consegue fazer uma redenção totalmente satisfatória, e isso, deve-se, à sua falta de carisma e personalidade, não convencendo totalmente o ouvinte daquilo que ele próprio aborda.

Ao sabermos que Finneas produziu (em maior parte) álbuns como When We All Asleep Where Do We Go? e Happier Than Ever acabamos por ficar com as expectativas elevadas para o trabalho a solo do artista, mas, infelizmente, o resultado final acaba por ser desapontante e aquém do esperado. Esta situação acontece com vários produtores, exemplificando com Jack Antonoff, que apesar de ter produzido excelentes álbuns em parceria com grandes artistas como Lana Del Rey, Taylor Swift e Lorde, suas músicas nunca ficam tão interessantes em comparação à dos músicos com quem ele colabora.

De certa forma, é injusto comparar FINNEAS com a sua irmã, dado que eles são dois artistas completamente diferentes, mas é extremamente difícil não fazer isso, porque, considerando que ele é uma peça chave para uma das artistas mais empolgantes do pop mainstream, sua própria música é lamentavelmente desinteressante.