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empathogen

2024 •

Three Six Zero Recordings, gamma

7.8
Composto por uma instrumentação que foge de espaços comuns ao rock, WILLOW expande seu repertório artístico ao realizar uma fusão sedutora com o jazz.
Empathogen - WILLOW

empathogen

2024 •

Three Six Zero Recordings, gamma

7.8
Composto por uma instrumentação que foge de espaços comuns ao rock, WILLOW expande seu repertório artístico ao realizar uma fusão sedutora com o jazz.
09/05/2024

Após dois trabalhos dentro da maré de lançamentos pop punk, WILLOW se apresenta com um novo disco fazendo mudanças promissoras. lately i feel EVERYTHING e <COPINGMECHANISM> foram projetos justos, sem muitos destaques. O primeiro, surfa na revisitação pop rock — naquele ano, 2021, encabeçada por Olivia Rodrigo — mas a artista demonstrou desleixo pela forma como conduziu o disco, sendo rápido e sem expandir o suficiente um som que reservava destaques, como o hit “t r a n s p a r e n t s o u l”. Já o segundo, explora outros horizontes dentro do cenário do rock alternativo, adicionando um pouco de metal e enrijecendo o som, como o single “<maybe> it’s my fault”. Diferente do predecessor, este possui um direcionamento mais conciso sem se perder em faixas excessivamente curtas e desinteressantes. Dentro dessa métrica, empathogen ainda brinca com o pop rock, mas a cantora reserva para ele criatividade e experimentalismo em um disco que facilmente é seu melhor registro até então.

Em entrevista, a artista fala que está adaptando quem ela é e isso significa progredir com sua sonoridade também; WILLOW confessa: “Isso não significa que gritar e rasgar guitarra não seja quem eu sou, porque é, mas estou indo um pouco mais fundo”. Essa é bem a verdade dela nesse momento. Resquícios do que a cantora trilhou nos últimos anos respingam no novo álbum, mas a jornada se joga com mais força num novo cenário, esse trilhado especialmente pelo jazz. Desde a primeira faixa, “home”, que conta com a participação de Jon Batiste, WILLOW adapta sua voz nessa nova proposta e tudo funciona com facilidade e leveza. A faixa é crua e simples, composta pelo piano esparso, em contrapartida, a bateria bem ritmada, mas já situa muito bem a ideia que será explorada adiante. Na segunda metade, o piano domina a canção enquanto os vocais brilham com gritos ao fundo. Inegável que ela possui muito talento vocal, demonstrado pela forma como sua voz se condensa muito bem às sonoridades diversas exploradas desde sua estreia. 

Acompanhada do violão, a voz arrastada de “ancient girl” garante teatralidade e lança para “symptom of life”, uma das melhores canções da artista. Faixa essa lançada como carro-chefe do disco e que vem com uma bateria muito característica do pop punk, mas a produção de WILLOW e Chris Greatti — este que já trabalhou com yeule e Dorian Electra — se revela descontraída e aberta a experimentações. Enquanto os versos brincam com a bateria e notas repetitivas de piano, no refrão, o baixo entra em cena acompanhado de um cantar mais acelerado. É um registro cativante e muito criativo, mesmo utilizando conceitos simples, são bem aproveitados. A quebra instrumental, variando a progressão dos instrumentos, parece característica do disco, pois, a canção seguinte, “the fear is not real”, também apresenta mudanças bem demarcadas entre verso e refrão, os vocais estonteantes transicionam para acordes de guitarras dispostos que tornam a experiência mais animadora.

A partir dessas faixas já é possível situar o direcionamento do disco. Composto por uma instrumentação que se diferencia da exploração de espaços comuns ao rock, como nos antecessores, WILLOW cresce seu repertório artístico ao realizar uma fusão sedutora com o jazz. Para além da colaboração com Jon Batiste, St. Vincent, que recentemente lançou o excelente álbum All Born Screaming, acresce a qualidade de empathogen com a misteriosa “pain for fun”. Com uma construção serena, guiada por guitarra e piano, a artista convidada demonstra bastante imponência a partir de versos repetitivos “There’s always and always and always and always a need”, brincando com uma procura incessante por desejo e contemplação. 

E é justamente desse lugar de descoberta que o lirismo do disco se concentra. WILLOW traça uma jornada existencialista repleta de sentimentos conflitantes, ansiando por uma mudança e renovação. Isso reverbera tanto na vida dela quanto no som investido no novo material; com todo esse conjunto muito bem construído, a artista tem muito a dizer com uma composição enxuta: ela está amadurecendo. Retornando para “symptom of life”, explora-se essa redescoberta a partir da analogia com a troca de pele de uma cobra; já no piano denso de “b i g f e e l i n g s”, a cantora lida com seus sentimentos de modo a aceitá-los por completo, entendendo a validade deles; e por fim, em “false self” esse conflito acionado pela transformação no horizonte fica evidente: “Am I insane? Feel the answer change each day / Feel the answer change, I don’t wanna change, but I need to change”. Buscar esses novos ares fez bem para WILLOW, demonstrando a capacidade de mutação e metamorfose que ela é tão reconhecida, mas sem deixar de lado um gênero como o rock que soa intrínseco. 

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Se Lately I Feel EVERYTHING já era um disco de qualidade que mostrava o quão ela se dá bem com o rock, COPINGMECHANISM mostra de forma ainda mais concreta a habilidade da cantora para elaborar ótimas canções do gênero.
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