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Higher Than Heaven

2023 •

Polydor

7.5
Higher Than Heaven traz consigo uma coleção de músicas inspiradas nas discotecas oitentistas que conseguem cumprir excelentemente a proposta do disco: proporcionar diversão ao ouvinte
Ellie Goulding - Higher Than Heaven

Higher Than Heaven

2023 •

Polydor

7.5
Higher Than Heaven traz consigo uma coleção de músicas inspiradas nas discotecas oitentistas que conseguem cumprir excelentemente a proposta do disco: proporcionar diversão ao ouvinte
14/04/2023

Um registro pessoal gera interesse em muitos por isso deduzir que será um projeto em que o artista irá, por meio de suas letras, abordar as situações que estão ocorrendo nos últimos tempos em sua vida, e isso gera uma conexão do público com a persona do artista. Por este motivo é comum, ao anunciar um disco, enfatizar que ele será relativo à pessoa do cantor. Ellie Goulding, entretanto, tomou uma atitude curiosa ao descrever seu novo álbum, Higher Than Heaven, em uma entrevista para a BBC Radio 1: disse que, na realidade, este era seu trabalho artístico em que menos essa característica está presente. 

Por mais que seja seu registro com menor caráter pessoal, isso não é um demérito para o projeto. Higher Than Heaven é o sucessor de Brightest Blue. Nele, Ellie trazia um de seus discos em que mais essa característica era evidente. É uma obra de reflexão sobre o que ela estava passando nos últimos tempos e, também, seus sentimentos nesse período, falando, especialmente, sobre seu término, provavelmente com Dougie Poynter, que, além de seu mais recente, foi o que mais Goulding teve dificuldade em superar. Ainda que ela conseguisse, em diversos momentos do registro, abordar bem esse assunto, por meio de belas composições, infelizmente, na segunda parte do álbum, a abordagem do tema tornava-se muito genérica e, além disso, seu som também se mostrava desinteressante no lado B. Seu novo lançamento, por sua vez, não é um registro em que ela ficou comprometida em se aprofundar nos acontecimentos de sua vida na lírica, sua proposta era apenas proporcionar ao ouvinte diversão e vontade de dançar e, por mais que muito mais simples idealisticamente que Brightest Blue, diferentemente de seu trabalho artístico anterior, a artista cumpre aqui excelentemente o que foi proposto, com suas faixas inspiradas nas discotecas dos anos 80 e 90 divertidas.

De início, com “Midnight Dreams”, o projeto já traz um grande destaque. Além de contar com uma das produções mais cativantes do projeto, com seus sintetizadores pulsantes e sua linha de baixo envolvente, tem também um dos melhores ganchos. Ademais, este é um ótimo exemplo de como, mesmo não trazendo nada de muito pessoal na sua lírica, Ellie consegue entregar uma boa qualidade nesse quesito. É intrigante como ela explora na composição o significado psicológico dos sonhos, comparando sonhar com a meia-noite — que representa incerteza com um novo começo — com estar com a pessoa descrita na canção, mostrando que a cantora está disposta a ficar com ele, apesar de pensar que essa relação pode levá-la a lugares incertos: “Take me, let’s fly away / Midnight dreams / Every time you’re next to me”. 

A seguir, com “Cure For Love”, Goulding canta sobre, mesmo que seja difícil, não deixar se abalar muito pelo fim de um relacionamento em uma música house bastante divertida. “Sick, but not brokеn-hearted tonight”, anuncia a cantora. Já “Like A Saviour” e “Let It Die”, tem algumas das produções mais fascinantes de todo o projeto, se destacando, principalmente, pelo uso cativante dos sintetizadores. Ademais, a habilidade da artista de criar melodias divertidas fica evidente nestes momentos. Enquanto que a faixa-título é um nu-disco com uma instrumentalização lustrosa, com os instrumentos usados em “Higher Than Heaven”, como o baixo e os synths, soando extremamente encantadores. Fora isso, também esta merece ênfase por trazer consigo uma das performances vocais mais adoráveis do álbum. A maneira como ela usa sua voz, especialmente, no refrão, consegue fascinar intensamente o ouvinte.

Por mais que conte com diversos destaques, conseguindo cumprir a proposta de proporcionar grande diversão ao ouvinte, há alguns momentos em que o álbum não se mostra muito interessante. “Waiting For It”, por mais que tenha um trabalho dos produtores decente, traz consigo os sintetizadores dos anos 80 presentes em todo o projeto de maneira pouco fascinante comparada à forma como outras das canções utilizam desses. Além disso, torna-se maçante de escutar graças a seu refrão, no qual, a repetição causa certa fatiga. “How Long”, por sua vez, é uma finalização bastante medíocre. Após muitas divertidas faixas que, com suas produções oitentistas, conseguiam trazer ao disco uma ótima atmosfera de discotecas da década de 80, o registro tem seu fim marcado por um trap-pop que, além de indigesto, pouco faz sentido dentro da obra por fugir completamente do som apresentado em seu restante. Apesar de alguns problemas, de maneira geral, Higher Than Heaven destaca-se na discografia de Ellie por, além de ser muito mais consistente e cativante que o feito em seus dois últimos trabalhos artísticos, trazer uma coleção de músicas disco e synthpop dançantes que conseguem executar, com excelência, o proposto por Goulding neste LP: divertir quem escuta-o e fazê-lo sentir vontade de dançar.

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