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Radical Optimism

2024 •

Warner

7.4
Dua Lipa entrega um trabalho divertido, porém, aquém das expectativas que ela mesma estabeleceu.
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Radical Optimism

2024 •

Warner

7.4
Dua Lipa entrega um trabalho divertido, porém, aquém das expectativas que ela mesma estabeleceu.
10/05/2024

No início do ano, Dua Lipa concedeu uma entrevista na qual definiu que seu terceiro álbum de estúdio era “um tributo à cultura rave do Reino Unido, infundido com psicodelia pop” e influenciado por Primal Scream, Massive Attack e pela atitude de “não se importar” do Oasis e do Blur. Isso não poderia estar mais distante da realidade. Radical Optimism é na sua essência, um disco pop dançante, com influências da música psicodélica . No entanto, essas influências acabam sendo eclipsadas pelas expectativas criadas anteriormente. Para realmente apreciarmos o que este projeto tem de bom para oferecer, é necessário remover os nossos óculos cores-de-rosa .

Os singles “Houdini” e “Training Season” proporcionaram um prelúdio a um álbum com uma trajetória mais experimentalmente psicodélica, com fortes influências de um dos principais colaboradores deste projeto, Kevin Parker; este que moldou significativamente esse gênero durante a década de 2010 com obras como Currents e Lonerism. As músicas emanam uma vibe sombria e misteriosa que representa o melhor que este projeto tem a oferecer em termos de produção e instrumentação. Desde o desdobramento no final de “Houdini” até a seção de produção entre o refrão e o pós-refrão, há uma infinidade de detalhes que poderíamos abordar neste texto. Dua Lipa atingiu o potencial perfeito para originar um álbum excepcional, ou pelo menos ao mesmo nível de Future Nostalgia.

Muitos dos sons do álbum evocam a era do autointitulado lançado pela cantora em 2017, com semi-baladas como “Anything For Love”, uma faixa curta com uma melodia interessante, porém pouco desenvolvida. A atmosfera de verão representada na capa é transmitida em várias faixas novas, como “Illusion”, o terceiro single do projeto. Embora possa faltar-lhe alguma ambição na produção, especialmente até à ponte; ela emana uma vibe quintessencial de hino de verão da europop destinada a dominar a rádio com suas melodias cativantes e energia contagiante. Um dos destaques principais do projeto é definitivamente “Falling Forever”, onde a artista atinge notas musicais altas e interessantes enquanto a composição aborda o tema da efemeridade das relações amorosas.

Muitas das melodias do disco são divertidas e agradáveis ​​ao ouvido, mas não possuem a mesma complexidade sonora encontrada em trabalhos anteriores da cantora ou mesmo no cenário mainstream atual. Além disso, as letras não trazem nada de realmente inovador para a cena. Mas a verdade é que não estamos necessariamente buscando profundidade lírica em um álbum da Dua Lipa, mas sim uma trilha sonora para diversos momentos da nossa vida, algo que nos faça aproveitar o momento e nos identificar. Nesse sentido, o projeto atende bem às expectativas, com músicas sobre amor, desilusão, sonhos e medos, entre outros tópicos que ela consegue acompanhar com uma composição metódica e satisfatória. 

O ponto fraco primordial reside na ausência de um conceito e coesão bem definidos. Falta-lhe uma visão artística unificada e confiante, algo que Dua Lipa normalmente incorpora em suas obras, mesmo se comparado ao seu álbum de estreia quando ainda estava em uma fase artística mais imatura. Isso resulta em um  material que se reduz a meramente mais uma coleção de músicas — muito boas —, que podem ser adicionadas à nossa playlist favorita, sem deixar uma marca duradoura como uma obra completa.

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No segundo single do seu estimado terceiro álbum de estúdio, Dua Lipa, estrategicamente, adota um som mais comercial dentro do espetro da música pop psicodélica.
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