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Scarlet

2023 •

RCA/Kemosabe

7.3
Scarlet marca uma transição positiva, mas frustra por prometer mais do que cumpriu.
Doja Cat - Scarlet

Scarlet

2023 •

RCA/Kemosabe

7.3
Scarlet marca uma transição positiva, mas frustra por prometer mais do que cumpriu.
29/09/2023

Doja Cat é um dos nomes que mais se destacam no mainstream dos últimos anos. Dona de uma voz que vai facilmente de tons suaves a um flow repleto de fúria, a rapper e cantora passeou do pop-rap ao R&B em seus principais sucessos. Essa versatilidade lhe rendeu diversas comparações com Nicki Minaj, uma das grandes inspirações da artista. De 2020 para cá, esteve constantemente em evidência, seja por músicas agraciadas por usuários do TikTok com facilidade, seja por algumas controvérsias. A mais recente delas foi se referir a todo o seu catálogo musical como “pop medíocre” em um tweet. Ela, portanto, manifestou um desejo de se distanciar daquilo que a levou ao topo das paradas, mas que supostamente não a representava de maneira genuína e, sendo assim, não a fazia feliz artisticamente. E é a partir disso que surge o Scarlet, seu quarto álbum de estúdio. 

O primeiro passo da nova era foi o single promocional “Attention”, faixa que remete ao hip- hop dos anos 1990, gênero esse que está bastante presente no novo disco. Apesar do desempenho morno, tanto nos charts, quanto na opinião de boa parte do público, a canção representa o que há de mais distante no registro em relação aos seus antecessores: um desejo por parte da artista de sair de sua zona de conforto e explorar novos sons. Na letra, há uma insatisfação expressa pela forma que sua arte é vista pelo público,; como se não houvesse um interesse genuíno pelo que ela tem a dizer. “You follow me / but you don’t really care about the music”. 

Apesar do desejo expresso de se desvencilhar ao máximo de sons mais radiofônicos, a mudança que separa Scarlet dos lançamentos predecessores da estadunidense, sobretudo o Planet Her e o Hot Pink, é mais sutil do que aparenta. Isso acaba se tornando um problema porque, ao menosprezar trabalhos que marcaram tanto sua carreira, havia expectativas por parte do público em torno do que estava por vir. E, talvez, esse seja o maior algoz do disco. Quem esperava uma obra inacessível, experimental e completamente oposta ao que veio anteriormente, pode se frustrar. Ainda que sem hits instantâneos como “Say So”, “Woman”, “Need To Know” e “Kiss Me More”, o material não se esquiva totalmente do que se costuma esperar de um álbum da artista, tanto positiva quanto negativamente. 

Os melhores momentos estão concentrados em sua segunda metade, na qual Doja Cat equilibra bem as influências noventistas, que a motivaram na construção do registro, com a famigerada fusão entre R&B e rap, já costumeira em seu catálogo. Faixas como “Can’t Wait”, “Often”, “Skull And Bones”, “Attention” e “Balut” representam um frescor para a discografia da artista, mas sem deixar sua essência de lado. Na primeira parte, “Ouchies” e “Fuck The Girls (FTG)”, junto à já conhecida “Paint The Town Red”, são os grandes destaques. 

Contudo, Scarlet não escapa de defeitos típicos de um álbum da rapper. A duração do disco, contendo 17 músicas, é excessivamente longa e desnecessária, o que torna a experiência de ouvi-lo do começo ao fim um pouco cansativa e arrastada. A lista de faixas também é bastante bagunçada, de modo que traz a sensação que o registro não flui tão bem como poderia, soando repetitivo. É o caso, por exemplo, de “Gun” e “Go Off”, que parecem descartes pouco inspirados de registros anteriores. 

Apesar de alguns deslizes, Scarlet é um bom álbum. É mais genuíno e consistente que o Planet Her e o Hot Pink, o que mostra que a artista foi bem-sucedida ao procurar sair minimamente de sua zona de conforto. Não significa, no entanto, que o material passe perto de ser uma obra-prima. Pretensioso, o projeto prometeu mais do que cumpriu, e o resultado disso é ficar no meio do caminho: provavelmente não vai satisfazer quem buscava por grandes hits, mas tampouco é capaz de impressionar aqueles que esperavam uma ruptura muito significativa.

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Doja Cat pode até ter um caráter duvidoso, mas um fato é que ela é muito boa no que faz. “Paint The Town Red”, seu mais novo single, comprova isso.
The third album by the singer by California shows both that she has good production and good writing, and that these two factors are not enough to make a genuinely good and memorable album.
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