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Autumn Variations

2023 •

Gingerbread Man

5.0
Autumn Variations é o primeiro material de Sheeran que surge sem o intuito principal de criar música para as grandes massas, porém, o resultado ainda é insatisfatório.
Ed Sheeran - Autumn Variations

Autumn Variations

2023 •

Gingerbread Man

5.0
Autumn Variations é o primeiro material de Sheeran que surge sem o intuito principal de criar música para as grandes massas, porém, o resultado ainda é insatisfatório.
04/10/2023

No começo de sua carreira, as canções de Ed Sheeran eram peças de simplicidade enraizadas no conforto da honestidade. Seu primeiro registro, +, de 2011, reuniu um conjunto de faixas que raramente perpassavam as fronteiras de um material amigável para as rádios e casualmente caiam em  melodramas cansativos. Por outro lado, essas eram músicas que, pelo menos, tinham uma sinceridade indo ao seu favor. Todavia, não demorou muito para que, conforme seu trabalho fosse atingindo um público maior, as narrativas de Sheeran fossem perdendo cada vez mais brilho, tornando-se dependentes da necessidade de serem uma produção de fácil consumo. Seus discos mais recentes, =, de 2021, e No.6 Collaborations Project, de 2019, são exemplos perfeitos da desenvolução artística em prol do capitalismo: um pop genérico e sem personalidade que carece de qualquer qualidade estilística. 

Autumn Variations, o último álbum de inéditas do britânico, surge em um ponto interessante da carreira do compositor. Por mais que sua música continue sendo um antônimo de originalidade e excitação, isso não está mais se pagando: desde (2022), o último segmento da série matemática do cantor, Sheeran está tendo dificuldade de se manter relevante no mercado. O que acontece é que, mesmo quando você sacrifica tudo para agradar os grandes meios mainstream, se você não estimular eles vez ou outra, irão cansar de você. Autumn Variations, nesse sentido, é o primeiro material de Ed que surge sem o intuito principal de criar música para as grandes massas. Em outras palavras, esse é um disco independente e alternativo, como se ele estivesse tentando replicar os passos de Taylor Swift com seus álbuns de pandemia e mesclar isso com um sentimento nostálgico do começo de sua carreira. Porém, o resultado ainda é insatisfatório, já que tudo soa inconcreto e contrário às percepções de intimidade e honestidade. 

Sinceramente, seria cansativo e quase sem propósito discorrer se essas canções são boas ou não já que elas são músicas de Sheeran, porém seria prolífico ponderar se ele conseguiu o que queria: construir a sua versão de Folklore. Diretamente, a resposta é não. De forma geral, as canções são quase versões diluídas de baladas pop, pautadas inteiramente por cordas. O que difere , no entanto, é justamente a quebra das estruturas elaboradas em moldes saturados e uma retomada do ponto mais assertivo de Sheeran: sua composição. “England”, por exemplo, embora carregue uma visão muito idealizada, demonstra justamente a capacidade do britânico de atentar para o mundo ao seu redor e criar um imaginário denso, sem propriamente se perder ou direcionar para uma lírica inacessível. “American Town”, por sua vez, segue o mesmo sentimento, ao passo que “The Day I Was Born” é um ponto saudosista do começo da carreira do cantor, traçando uma escrita em busca de um sentimento genuinamente bonito. 

Por outro lado, Autumn Variations ainda tem seus momentos em que fica claro um certo maior direcionamento para o consumo radiofônico. “Magical”, que abre o álbum, é uma balada boa e cativante, mas converge muito com o trabalho que vinha fazendo nos últimos anos e tem o apego massificado, indo contra a mudança necessária para ele e seu propósito de produzir algo puramente pela arte. Em conjunto, “Amazing” consegue mostrar um Sheeran com um pouco da perspectiva sobre si sem soar egoísta, mas é inegável que ressoa como um plano B como um possível sucesso. Nesse sentido, para o bem ou para o mal, Autumn Variations é o primeiro passo de uma redenção, mas Sheeran ainda parece inseguro sobre essa decisão, ficando apegado demais ao seu passado. 

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