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"The girl, so confusing version with lorde"

2024 •

Atlantic

Charli xcx e Lorde adentram o coliseu montado pela indústria e performam o maior espetáculo de intensidade emocional entre (quase) amigas.
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"The girl, so confusing version with lorde"

2024 •

Atlantic

Charli xcx e Lorde adentram o coliseu montado pela indústria e performam o maior espetáculo de intensidade emocional entre (quase) amigas.
21/06/2024

Desde que a letra da faixa “Girl, so confusing”, do sexto álbum de estúdio de Charli xcx, Brat, vazou, a Internet foi tomada por especulações: “Lá vai a Charli falar mal de mais uma pessoa”, alguns comentavam  em tom de brincadeira referenciando as pseudodesavenças que permeiam sua carreira. Nada que ver com isso. “Girl” é uma faixa pop eletrizante e com carga emocional densa. Nela, Charlotte discute o cenário da indústria pop em que cantoras femininas, ao mesmo passo em que são jogadas umas contra as outras como galos de rinha — comparando seus álbuns, seus desempenhos comerciais, suas turnês, seus cabelos encaracolados… —, são também cobradas para que se amem e apoiem-se incondicionalmente. Caso contrário, são taxadas como más feministas.

É incrível que neste momento em que a liberdade artística é cada vez mais cinzelada e lixiviada — nesta semana, por exemplo, o presidente Lula foi miserável em sua colocação sobre a Arte —, Charli ainda mantenha suas arestas e o compromisso de ser honesta consigo mesma. Ela é ácida quando sente necessário, ela é neutra quando o quer e ela é básica… Não, isso não. A experiência artística hoje precisa ser livre de emoções perturbadoras, seu discurso precisa ser diplomático e impera-se que  sua estética seja estereotipada e estéril. O terreno fértil que A.G. Cook promove para Charli é capaz de fazer com que as ideias embrionárias tomem forma de maneira consistente e que se mantenha interessante mesmo para quem não dá a mínima sobre o que a música fala. Mesmo para essas pessoas, “Girl, so confusing” ainda se manifesta como um hino das pistas de dança, que remonta aos clássicos do álbum autointitulado de Justice (ouça “Phantom Pt. II”) e de Body Talk, de Robyn (ouça “Time Machine”).

No entanto, é para aqueles que querem ir a fundo que a faixa realmente se destaca. A nova versão com o verso inédito de Lorde acrescenta não somente uma cadência envolvente de palavras alvejadas sem tempo para recuperar o fôlego, mas também um quê ainda mais confessional à canção. Apesar disso, este não é um registro em que ambas solidificam sua amizade, mas complexifica a esfera emocional que não se observa nas rivalidades femininas. Dessa forma, é quase como se a Internet e a indústria tivessem construído um coliseu apenas para que Charlotte e Ella se digladiassem e que a melhor vencesse. Em vez disso, as duas adentram uma batalha ainda mais intimidadora e fervorosa com o desafio de conhecer verdadeira e visceralmente uma à outra. 

De olhos semicerrados, quando Charli se vê no espelho, vê Lorde; quando Lorde se vê no espelho, vê Charli; quando você escuta “The girl, so confusing version with lorde”, entende por que duas pessoas tão diferentes podem ser comparadas e confundidas: são duas Lendas, é difícil apontar a diferença nisso.

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