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nadie sabe lo que va a pasar mañana

• Rimas

• 2023

5.2

O novo álbum de Bad Bunny é um verdadeiro sonífero: preguiçoso, desestimulante e bastante aquém do que um dos maiores nomes da atualidade pode entregar.

nadie sabe lo que va a pasar mañana

• Rimas

• 2023

5.2

O novo álbum de Bad Bunny é um verdadeiro sonífero: preguiçoso, desestimulante e bastante aquém do que um dos maiores nomes da atualidade pode entregar.

PUBLICADO EM: 19/10/2023

PUBLICADO EM: 19/10/2023

Após se consagrar como um dos maiores hitmakers dos últimos cinco anos, lançando álbuns (solo e colaborativos) quase que anualmente, Bad Bunny revelou, em uma entrevista à Billboard, que daria uma pausa nos trabalhos musicais em 2023. Inesperadamente, na semana passada, o cantor porto-riquenho anunciou um novo álbum. É uma incógnita se nadie sabe lo que va a pasar mañana foi lançado como um aperitivo do que vem por aí ou como um presente para os fãs enquanto Benito trabalha em algo que precise de mais tempo para ser desenvolvido. De qualquer forma, nem para isso ele serve, mas é o que a enorme falta de pulso e de motivação do conteúdo encontrado nele indica.

As músicas que integram nadie sabe, ao contrário do que muitos antecipavam, são um desvio da direção reggaetonera pela qual Bad Bunny ficou conhecido. Na realidade, o foco do disco é o trap, que também foi o condutor de seu primeiro álbum, X 100PRE (2018), mas que, ainda assim, foi melhor explorado naquele projeto, e isso é um problema. Se seus últimos trabalhos solo apostavam na exploração de ritmos latinos e na tentativa — extremamente bem sucedida — de reconhecimento deles no mercado internacional, nadie sabe opta pela vangloriação da música estrangeira e acaba soando como, e, de certa forma, representando um grande retrocesso — tanto para discografia do cantor, quanto para o cenário latino no geral, se considerarmos que ele é o artista mais influente desse contexto atualmente. 

Deixando claro, não há nada de errado com o trap enquanto gênero musical, até porque ele tem se mostrado extremamente multifacetado e moldável, permitindo que artistas peguem um beat simples e transformem em algo criativo e até transgressor, como visto, por exemplo, nos últimos projetos de Travis Scott e Playboi Carti. A questão é que ele foi implementado de maneira preguiçosa e desleixada neste disco, deixando a impressão de que o mesmo foi feito de última hora e sem muito ânimo ou motivação por trás, e isso reflete diretamente na recepção do ouvinte. São 22 faixas que, juntas, ultrapassam uma hora e vinte minutos de duração — na metade já bate um sono e nem sobra disposição para chegar no final, onde os reais destaques podem ser encontrados. Enquanto isso, se for de seu interesse, você terá que ouvir canções que variam de esquecíveis a inofensivas, tanto que nem vale a pena descrevê-las. Apenas pense em batidas clássicas de trap, levemente influenciadas por uma estética club e produzidas da maneira mais básica possível e pronto, já ouviu o álbum sem nem mesmo ter precisado apertar play.

Para não dizer que nadie sabe é completamente descartável, algumas faixas tem certo destaque no meio de um mar de previsibilidade e repetição. “BATICANO”, o primeiro deles, transita bem entre o trap e o pop noturno com uma linha de sintetizadores que remetem aos últimos experimentos de The Weeknd. “WHERE SHE GOES”, por outro lado, aposta no jersey-club, um gênero que ganhou bastante notoriedade este ano — é um daqueles casos em que Bad Bunny se deixa levar por tendências norte-americanas, mas aqui elas funcionam porque não são tão óbvias. Por último, “ACHO PR” é a clássica colagem colaborativa que Benito faz questão de colocar em todos os seus projetos e, assim como as demais, essa é cheia de reviravoltas e muito carismática. 

Em relação à parte lírica, a mensagem nadie sabe lo que va a pasar mañana se resume ao clássico “aproveite o hoje, pois ninguém sabe o que pode acontecer amanhã”, o que é no mínimo curioso se considerarmos o quão desestimulante o disco é musicalmente. Em grande parte, ouví-lo parece uma perda de tempo, e não algo excitante ou recompensador. 

Na faixa de abertura, Bad Bunny afirma estar em sua melhor fase e faz uma referência (de muito mau gosto, aliás) a Ayrton Senna. Há controvérsias. Se tivéssemos que compará-lo a uma figura brasileira, levando em consideração este disco, Matuê ou Filipe Ret provavelmente seriam escolhas mais adequadas. Interprete como preferir.

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Un Verano Sin Ti funciona mais como uma playlist do que um álbum em si, mesmo que as músicas presentes sejam de uma qualidade superior ao que estamos habituados do reggaeton atual.
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