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eternal sunshine

2024 •

Republic

8.3
Em eternal sunshine, Ariana retorna ao cenário pop com uma visão mais clara sobre si mesma e sobre a sua identidade artística.
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eternal sunshine

2024 •

Republic

8.3
Em eternal sunshine, Ariana retorna ao cenário pop com uma visão mais clara sobre si mesma e sobre a sua identidade artística.
11/03/2024

Nos últimos três anos, Ariana Grande passou longe do cenário musical. Depois do lançamento de Positions (2020), a cantora se atentou apenas para as gravações do filme Wicked, no qual ela fará o papel de Glinda. A primeira música lançada do álbum foi “yes, and?”, uma deliciosa faixa house sobre empoderamento e autoafirmação. Ao longo da letra, a artista aborda a fadiga geral e o processo de cura das experiências passadas, incentivando o ouvinte a superar traumas emocionais. A narrativa enfatiza a importância de ser autêntico, expressar-se com confiança e resistir às expectativas alheias. O refrão reitera a mensagem central, encorajando o indivíduo a afirmar-se com convicção e a se tornar seu próprio melhor amigo, enquanto a ponte destaca a sacralidade do tempo pessoal e a necessidade de respeitar a singularidade de cada energia. A música celebra a força interior, promovendo a ideia de que cada pessoa detém o poder de moldar sua história e seguir em frente com determinação, independentemente das opiniões externas.

Muitas das faixas presentes no eternal sunshine transmitem essa mensagem, como a envolvente “true story”. Na canção, é tocada a questão das falsidades propagadas pela mídia sobre a artista (“This is a true story about all the lies / You fantasized ’bout you and I”), bem como o papel de vilã que tentam atribuir a ela (“I’ll play the villain if you need me to”). Muitos desses temas surgem devido às especulações sobre o comportamento de Ariana Grande após seu relacionamento com seu colega de elenco no filme Wicked, Ethan Slater, e suas supostas ações de “destruição de lares”. Todas essas alegações carecem de comprovação, no entanto, foram amplamente difundidas pela comunicação social.

O álbum não só aborda temas de autoafirmação e amor-próprio, perceptíveis desde a capa, na qual Ariana é retratada buscando conforto em si mesma, mas também se concentra em um conceito inspirado no filme Brilho eterno de uma mente sem lembranças (2004), estrelado por Jim Carrey e Kate Winslet. Desde o início do álbum, há uma reflexão sobre se o relacionamento em que ela está é o correto: “How can I tell if I’m in the right relationship?”, ela questiona em “intro (end of the world”. Ao longo das canções, como na faixa irmã de “greedy” do álbum Dangerous Woman (2016), intitulada “bye”, e na balada R&B-country “imperfect for you”, são expressos sentimentos de libertação da relação. Assim como no película, inicialmente há o desejo de preservar apenas as memórias positivas. No entanto, a cantora percebe que é fundamental para seu crescimento pessoal não suprimir completamente as experiências vividas, sendo elas boas ou ruins.

Em termos de sonoridade, o restante registro se destaca consideravelmente do lead single, concentrando-se em gêneros como R&B contemporâneo e dance-pop. Duas canções que exemplificam bem essa justaposição são: “the boy is mine”, inspirada na versão dos anos 90 de Brandy & Monica; e o segundo single “we can’t be friends (wait for your love)”. Na primeira, encontramos uma versão reimaginada de “fantasize”, que vazou no ano passado e cativou extremamente os fãs, tornando-se um sucesso em diversas plataformas como o TikTok. Ariana trabalhou para criar uma música que evocasse o mesmo tipo de sentimento, descrevendo-a como um bad girl anthem, e cumpriu com sucesso essa tarefa, tornando-a uma das faixas-destaque do álbum, com uma produção contagiosa e envolvente. Por outro lado, “we can’t be friends (wait for your Love)” representa um lado completamente vulnerável de Ariana, com uma produção que lembra o synth-pop eufórico de Robyn. Com melodias e vocais cativantes, a mensagem da música torna-se melancólica ao abordar uma relação complicada, na qual Ariana deseja manter uma conexão com o ex-parceiro, mesmo sabendo que não podem ser apenas amigos. A canção se torna uma das peças fundamentais para compreender o conceito do álbum.

Em termos gerais, apesar de não superar álbuns como Sweetener (2018) e thank u, next (2019), e algumas músicas carecerem de um tempo de duração maior, o sétimo álbum de estúdio de Ariana é uma das obras mais coesas e agradáveis de se ouvir da cantora. É evidente uma melhoria significativa na enunciação das letras das canções, possivelmente devido ao seu treino vocal para Wicked, além de produções e harmonias vocais angelicais que só Ariana conseguiria trazer para o mundo mainstream. Essa evolução não só demonstra a continuação do amadurecimento artístico de Ariana Grande, mas também solidifica sua posição como uma das principais vozes da música pop contemporânea.

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