Music Of The Spheres
2021 • POP/ROCK • PARLOPHONE
POR DAVI BITTENCOURT; 21 de OUTUBRO de 2021
6.0

Coldplay em Music Of The Spheres tentaram trazer um conceito interessante, inspirado no espaço e em que cada música representasse um planeta do sistema criado por eles. Com o lançamento de singles como “Coloratura” e “Higher Power”,eles mostraram que as músicas que compõem o álbum poderiam interessar quanto a estética. Mas, infelizmente, em seu novo disco de inéditas, Coldplay decide elaborar um registro interessante esteticamente, porém canções fracas em que apenas as faixas lançadas anteriormente conseguem se destacar.

A produção de Max Martin consegue ter bons momentos dentro daqui. Por exemplo a sonoramente rica “Coloratura” e “My Universe”, que apesar de não ser nada de especial, é uma música pop bem feita, e comparado ao resto do álbum, é uma das que mais se destaca. Entretanto, em geral, mesmo que não seja realmente ruim, as produções são genéricas, comuns e fracas. Podemos perceber isto especialmente em duas faixas: “People Of The Pride” e “Biutyful”. A primeira inicia bem, com sua introdução com fortes sintetizadores a qual dá a sensação de que virá depois disso algo muito bom, todavia os sintetizadores param para dar espaço aos riffs de guitarra e as batidas secas que parecem tentar forçadamente soar intensa, porém acaba parecendo mal feita. A segunda tenta se encaixar de qualquer forma no conceito do projeto, mas não consegue. Isso é exemplificado pelos vocais extremamente processados para parecer com um alienígena falando e seu instrumental que tenta lembrar algo espacial e diferente, mas a abordagem dessa estética é tão forçada que acaba sendo apenas algo muito comum e medíocre.

As letras, igual as produções, tem alguns destaques, por exemplo a bela “Let Somebody Go” que fala sobre deixar alguém que você amou para trás, eles cantam – That it hurts like so / To let somebody go; e “Coloratura”, em que utiliza de referências espaciais para mostrar o quanto ama alguém, falando que tudo que ele quer é a pessoa amada. Ele fala: “In this crazy world, I do / I just want you”, “And up there in the heavеns / Galileo and those pining for the Moon”. Mas em grande parte é composta por várias canções com linhas ridículas que tentam fazer alusão ao espaço, um dos melhores exemplos de como isso acontece está em “Humankind” em que encontramos algumas composições sem sentido: “But we’re capable of kindness / So they call us humankind”.

Talvez o que mais chega perto de ser bom aqui são os vocais, os agudos de Chris em “Humankind” e a suave performance vocal em “Coloratura” são adoráveis. Mas até mesmo aqui o álbum falha em algumas canções, especialmente na intragável “Biutyful”, que utiliza de vocais extremamente processados com a finalidade de parecer um alienígena falando, no entanto acaba falhando pelo fato de tornar a canção inaudível.

Não é novidade que houve uma queda na qualidade dos lançamentos deles após o Viva La Vida Or Death and All His Friends, mas no álbum anterior a esse, conseguiram fazer seu melhor em anos, saindo um pouco do pop mainstream que marcou grande parte dos discos lançados por eles na década passada. Porém aqui vemos Coldplay repetindo os mesmos erros feitos em A Head Full Of Dreams, que parecem estar se importando apenas em conseguir um hit, sem importar se o registro será bom ou não. O resultado disso é o pior projeto da banda, um registro o qual é a definição de only singles.