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Truque

2023 •

CHEVALIER

8.2
Clarice Falcão revisita sua carreira enquanto renasce como artista.
Clarice Falcão - Truque

Truque

2023 •

CHEVALIER

8.2
Clarice Falcão revisita sua carreira enquanto renasce como artista.
12/08/2023

Quando Clarice Falcão anunciou o lançamento do seu quarto álbum de estúdio, com a premissa de ser “uma junção harmônica dos três primeiros”, uma pulga atrás da orelha foi plantada rapidamente. Como juntar três projetos tão distintos em um só? Simples. Tome um truque e se deixe enganar nessa viagem de 12 faixas. 

Em meados de abril de 2023, Clarice abriu uma livestream no aplicativo Instagram para comemorar os 10 anos do seu primeiro disco, Monomania, e falar um pouco sobre o próximo lançamento de sua carreira. Uma das informações era que o disco novo teria muitos “conectivos” entre si. As canções seriam interligadas e tudo era “um só” — trocadilho intencional. Na época, creio que muitas pessoas ficaram confusas com a explicação, mas hoje, fez sentido. 

O álbum inicia-se com “Dimensão”, faixa que explora vidas paralelas e o amor entre duas pessoas nesses mundos. Logo após, nos encontramos literalmente no “Fundo do Poço”, onde Clarice celebra estar nesse local e decora o ambiente enquanto se acomoda nesse péssimo estado. Sintetizadores muito sutis nos encaminham até “Chorar na Boate”, uma faixa disco inofensiva, que termina com uma porta sendo fechada com bastante força. Essa porta é a interlude “Quatro da Manhã”, que deságua em “Ar da sua Graça” — depois de chorar na boate, vai chorar na sua casa — que é uma balada linda sobre como é difícil esquecer alguém que amamos. Fechando o lado A, temos a aguardada “Podre” – uma faixa sobre o amor no meio de locais insalubres e como nos maiores inferninhos, conhecemos as almas mais queridas.

Ufa, você piscou e já estamos no lado B do álbum. O que para muitos é um problema, eu vejo como um deleite, pois aqui estão as melhores faixas desse disco. “Eu Destruo”, mostrando as loucuras que o amor é capaz de fazer, foi apresentada pela primeira vez na live comemorativa de 10 anos do Monomania, em voz e violão. Então imagine minha grata surpresa ao descobrir que era bem diferente desta versão. “Truque”, a faixa título, é para ninguém colocar defeito. Narrando eventos de uma noite que não deu certo — tal como “Oitavo Andar” — é Clarice nos confortando que está tudo bem se sentir mal por pensar que aquela pessoa era ideal. “Ideia Merda” é como uma continuação da faixa anterior, porém com maiores explicações e ela admitindo que às vezes, inventamos pessoas na nossa cabeça. “Dizer Adeus”, a balada definitiva do projeto, é sobre como é complicado se despedir de alguém, sendo mais fácil só deixar ir, sem dizer nada. Nas duas últimas faixas, temos “Quero Acreditar” — que é uma das músicas mais animadas de Clarice até hoje, uma faixa com influências disco e letra agnóstica, que se agoniza por ser dessa forma. Uma canção muito consistente, que cita de terra planistas até entidades sagradas, fazendo um paralelo leve sobre os dois grupos. E “Segunda Dimensão”, que fecha toda essa viagem, trazendo Clarice de volta para o mundo real. 

O projeto visual foi anunciado como cada personalidade para uma música, e faz sentido. São várias versões paralelas de Clarice, cada uma de uma dimensão. E todas elas se juntam, se unem, para formar uma pessoa só. Elas existem em outras vidas, mas também são parte dessa. Todas elas choram na boate, todas são podres, todas se sacrificam por amor, mas principalmente, todas elas tomam um belo de um truque enquanto tentam escapar de uma vida que é, muitas vezes, infeliz. 

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