Sling
2021 • FOLK/ALTERNATIVE • REPUBLIC/FADER
POR DAVI BITTENCOURT; 4 de AGOSTO de 2021
7.9

Clairo, desde o início de sua carreira, se mostrava uma artista talentosa e com muito potencial. Mesmo em seus trabalhos mais fracos, como o diary 001, de 2018, a artista conseguia manifestar suas habilidades de escrita e imaginação sonora com muita precisão. Contudo, mesmo assim, suas canções deixavam um gosto duvidoso, me fazendo ficar atento para o dia que ela iria entregar algo mais interessante. Eu sabia que o potencial e aptidão de Claire eram inegáveis e parece que em seu novo álbum, Sling, ela finalmente reflete essa maestria. 

Em Sling, seu segundo álbum, a artista tenta uma sonoridade mais folk, diferenciando-se de seus trabalhos mais antigos, os quais carregavam uma estética sonora voltada para as tendências do indie-pop. Anteriormente, Claire pintava seu som como um fruto de sonhos vindos de seu quarto. Todavia, agora, ela adota o estúdio, onde trabalhou com Jack Antonoff (Taylor Swift, Lana Del Rey, St. Vincent), como a fábrica de seus novos anseios oníricos. Mas, sendo em seu quarto expondo as pretensões de uma adolescente quieta ou assumindo o controle de um estúdio inteiro, Claire sabe o que faz e conduz tudo muito bem. 

Apesar de não ser uma das melhores produções de Antonoff, o trabalho realizado por ele é muito bem feito, se tornando um dos maiores destaques do disco. Uma das faixas em que a produção mais chama a atenção é  “Joanie”, uma canção instrumental composta por várias camadas de cordas, percussões e sintetizadores que a deixa muito fascinante. “Zinneas”, por sua vez, também é uma faixa onde as ações de Jack se destacam muito, onde a própria canção vai acelerando durante todo o percurso, assumindo um ritmo mais frenético e colocando mais elementos na produção deixando a cada vez mais rica e atraente. Outro realce são os vocais de Claire, entregando em quase todas as músicas vocais doces e belos.

As letras são o ponto onde Clairo teve sua maior evolução artística, suas letras soam bem mais maduras que as suas mais antigas, falando sobre temas mais interessantes, como em “Blouse” onde ela relata suas experiências de sexualização no trabalho, sendo a melhor letra do disco. “Why do I tell you how I feel / When you’re just looking down the blouse? / It’s something I wouldn’t say out loud”, ela canta no refrão. Outro destaque é “Harbor”, que fala sobre os problemas do relacionamento. “Swallow the pill, it’s only fair that I hear / Know myself better than I have in years / I don’t know why I have to defend what I feel,” ela anuncia perto do final da canção.

Com esse disco, Clairo me impressionou bastante. Mesmo sabendo que ela tinha potencial para isso, ainda fiquei muito surpreso com o disco, o qual é muito bem feito, encantador e que mostra um amadurecimento de Clairo como artista, sendo ela como compositora, instrumentista ou coordenadora dentro de um estúdio.