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In Pieces

2023 •

Columbia/Parkwood

7.0
Chlöe faz boa estreia solo, mas aquém do seu potencial.
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In Pieces

2023 •

Columbia/Parkwood

7.0
Chlöe faz boa estreia solo, mas aquém do seu potencial.
12/04/2023

Chlöe é, indubitavelmente, um dos nomes mais talentosos da nova safra de artistas que se encontram nas principais playlists de pop e R&B. Por mais que não tenha tantos ouvintes mensais como Doja Cat, Dua Lipa ou SZA, a cantora apresenta os principais requisitos para se tornar uma grande estrela: voz, autenticidade e boas referências. E, nesse sentido, era esperado que, após trabalhos em conjunto com sua irmã mais nova, na dupla Chloe x Halle, ela se aventurasse em projetos solo que de fato a apresentassem ao mundo. É a partir disso que nasce o In Pieces, álbum de estreia da estadunidense, que, infelizmente, não chega perto da grandiosidade que poderia ter. 

Um longo caminho foi trilhado até que o registro visse a luz do dia. Canções avulsas, performances e entrevistas preparam terreno para o lançamento e encheram os fãs da artista de expectativas. Finalmente anunciado, o disco prometia trazer à tona a vulnerabilidade da cantora. A decisão de não incluir nenhum de seus primeiros singles — incluindo “Have Mercy”, a faixa mais expressiva de sua carreira solo até então — soou arriscada, mas totalmente bem-vinda. Uma pena que essa ausência foi pouco suprida. 

O In Pieces, por mais bem produzido que seja, transparece uma Chlöe perdida, que ainda não parece ter encontrado um caminho que realmente faça sentido para a sua carreira solo. O direcionamento do material foi sendo alterado com o tempo, após álbuns inteiros serem descartados. No entanto, a proposta mais soturna e ambiciosa do registro não soou convincente, principalmente porque, em alguns momentos, pouco faz sentido. É um exagero dizer que nenhum dos quatro primeiros singles da cantora poderia estar no disco. “Have Mercy” e “Treat Me” mereciam estar em uma obra completa, sobretudo quando há espaço para músicas como “Body Do” e “Told Ya” — igualmente dançantes, mas menos interessantes. 

Essas incongruências não impedem que o álbum tenha bons momentos. “How Does It Feel”, parceria com o infame Chris Brown, é um destaque, junto com “Feel Me Cry” e a faixa-título, uma balada ao piano com uma belíssima performance vocal, encerrando o disco de um jeito sensível e cativante. “I wanna be where you are / I want you to need me like the fire needs the spark / I need to see it in your eyes / To lose myself completely like a full moon in the tide”, canta ela no encerramento da obra. 

In Pieces pode não ser o disco que melhor representa Chlöe artisticamente, mas, apesar dos tropeços, é uma estreia solo competente. Fica a sensação, no entanto, de que o saldo final poderia ser muito mais positivo, tamanha a demora e as expectativas criadas sobre o registro. Ainda assim, a experiência trazida pelo material é coesa e agradável. Certamente, a artista ainda terá tempo de sobra para amadurecer sua arte e, no futuro, entregar projetos superiores. 

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