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Charli XCX, foto por Richard Kern.
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Charli XCX em 11 Músicas

Para celebrar o lançamento de Brat e os seus 11 anos de carreira, listamos as 11 melhores músicas de Charli XCX.
POR SoundX Staff
junho 6, 2024

Charli XCX é um fenômeno da música pop. Desde que estreou em 2013, a cantora conseguiu se destacar e se fazer ser lembrada vez após outra com trabalhos que, embora nunca tenham saído dos arredores de um único gênero, conheceram e desbravaram os limites do (além) pop. Por mais que tentem reduzi-la a uma caixinha, seja a garota “Tumblr” de True Romance, a estrela em ascensão no mainstream de Sucker ou a femmebot sintética e futurista de Pop 2, Charli sempre fez o que a deu na telha — enfrentando a dureza das expectativas que colocavam sobre ela e as amarras de sua gravadora rígida.

Ainda que o discurso nas redes sociais se volte contra ela, quer queira, quer não, Charli sempre será autêntica consigo mesma. Para celebrar o lançamento de Brat e essa trajetória assumidamente inconformada em 11 anos de carreira, listamos as 11 melhores músicas de Charli XCX.

11. "Boom Clap"

(2014)

Sim, sério, “Boom Clap” é uma das melhores músicas de Charli XCX. Lançada como trilha-sonora para o filme baseado no livro de mesmo nome, A Culpa É Das Estrelas, a faixa é o maior sucesso solo da cantora britânica, tendo atingido o top 10 da Billboard Hot 100. E, justamente por isso, os fãs tendem a rejeitar a existência dela e de negar qualquer potencial que ela apresenta. É um erro se opor a algo só porque é bem-sucedido. É claro que, geralmente, as músicas que explodem entre o grande público são de teor questionável, mas negar qualidade de algo só porque não é algo exclusivo seu, mas que é querido pelas massas representa um domínio enviesado do que é música. A canção perpassa o terreno do synthpop em que Taylor Swift desbravaria meses depois, mas de forma original, com batidas marcadas e uma mistura de balada romântica e uma bamger dance-pop, ao estilo do que Robyn fez em “Dancing On My Own”. Com um gancho cativante, antêmico e onomatopeico, Charli XCX cravou seu nome no mainstream e atraiu um público diferente que jamais teria contato com trabalhos como True Romance. Boom! Clap! faz o som de um clássico instantâneo. — Kaique Veloso

10. "No Angel"

(2018)

“No Angel”, uma favorita entre os fãs desde que foi vazada e apresentada várias vezes antes de oficialmente lançada, apresenta o clássico hedonismo encontrado em grande parte da discografia da Charli. Ela canta aqui principalmente sobre festejar e ser desleal, não confiável em um relacionamento, mas, apesar de toda essa selvageria, ainda deseja o perdão da pessoa e provar que merece ser amada por quem ela realmente é. A música conta com a produção da SOPHIE e The Invisible Man, trazendo batidas características do synthpop dos anos 80, mas com uma abordagem futurista e lotada de ousadia que acabaria por demonstrar mais uma vez como Charli se tornaria uma grande promessa do pop com sua experimentabilidade ao longo dos anos. — Ítalo Mangabeira

9. "Von dutch"

(2024)

“Von dutch” é uma faixa eletropop energética e viciante, lançada como single do álbum ainda não lançado Brat. A música apresenta uma combinação cativante de batidas pulsantes, sintetizadores e elementos sonoros futuristas, criando uma atmosfera vibrante e dançante desde o primeiro acorde. A voz distintiva e ousada de Charli XCX brilha na faixa, transmitindo uma sensação de confiança e determinação enquanto canta sobre indulgência, liberdade e autoconfiança. Além disso, “Von dutch” exemplifica a habilidade de Charli de criar pop eletrizante que desafia convenções e empurra os limites do gênero. Sua produção inovadora e letras sinceras cativam os ouvintes, proporcionando uma experiência auditiva emocionante e envolvente. No geral, “Von dutch” é uma adição empolgante ao catálogo diversificado de XCX, demonstrando sua habilidade de criar música pop que é ao mesmo tempo acessível e progressiva. — Pedro Martins

8. "Backseat (feat. Carly Rae Jepsen)"

(2017)

“Backseat” é uma das colaborações mais destacadas do pop experimental desta década, unindo Charli XCX, reconhecida por sua abordagem ousada e inovadora, com Carly Rae Jepsen, uma das artistas mais cativantes do cenário synthpop mundial. Inicialmente, a música descreve estar numa relação prolongada devido à falta de direção. Sem ter a certeza do que quer, a relação durou bastante, mas no fundo sabe que já não há mais nada que deseje dessa relação, ficando então no “banco de trás”. A produção da faixa é extremamente sonhadora e eletrizante no seu estado de espírito, tornando-se um clássico instantâneo para conduzir à noite (ironicamente no “banco de trás”) com as janelas abertas, a sentir toda a atmosfera sonhadora da música. — Gerson Monteiro

7. "Gone (feat. Christine and the Queens)"

(2019)

Uma deliciosa façanha indexada pelo pop eletrônico, dançante, e, gradativamente, disruptivo. “Gone” foi uma escolha inteligente para ser single de Charli por representar uma atrativa síntese de um pop chiclete, assim como “1999”, mas com a produção de A.G. Cook adicionando contornos do experimentalismo característico de Charli XCX. Com uma progressão inalterada e cadenciada, seguida pelo eletrônico que parece imitar o barulho de palmas, Aitchison vagueia sobre a falta de pertencimento e a dificuldade de socialização. Acompanhando a composição rodeada de insegurança, a produção brinca com essa temática, soa deslocada com graves ácidos e cortantes que funcionam como externalização desse conflito interno e externo. A parceria com Christine and the Queens traz um contorno mais suave no segundo verso, em contraste à aspereza vocal de Charli; já quando harmonizam, as vozes se diluem numa única poção irresistível. Para se libertar, a saída de “Gone” é o momento mais excitante e potente: distorções e sintetizadores agressivos brincam com a estrutura pop. E tudo isso faz dessa música ser um dos maiores destaques da carreira da artista, é acessível, enquanto soa ultrajante e desconexa; é dançante, assim como dramática e fria; e quando Charli XCX brinca com essas dualidades ela não deve se desculpar, ela precisa continuar. — Gustavo Rubik

6. "Constant Repeat"

(2022)

Uma das músicas que mais queremos ouvir em repetição constante em Crash tem exatamente o nome de “Constant Repeat”. Nela, a cantora apresenta um cenário imaginário criado na cabeça de Charli, onde ela se apaixonou por alguém, mas imaginou que essa pessoa não a queria. A produção de Lotus IV é completamente viciante, resultando em um soufflé descontraído e hipnótico que ganha impulso com vocais de tom variável que voam através de diferentes camadas. A faixa é então, um exemplo transcendente de como é uma música pop perfeita, acertando em todos os aspetos, desde a letra cativante até à instrumentação impecável. Mesmo em produções menos experimentais, Charli XCX consegue criar melodias surpreendentes e envolventes, demonstrando ser uma verdadeira especialista no gênero. — Gerson Monteiro

5. "Next Level Charli"

(2019)

Mostrando de cara sua obsessão com carros desde o começo com “I go speedin’ on the highway — Burn rubber, no crash”, “Next Level Charli”, além de servir como uma excelente introdução ao álbum Charli, é um clássico exemplo do que faz uma música da cantora tão especial. Da forma energética que é cantada, da produção futurista do AG. Cook, da letra dançante na qual a própria cantora disse através de um tweet ser a música que melhor representa ela e seus fãs, dos “Bump Bump” acompanhados com essas batidas pulsantes de bubblegum bass que encaixam perfeitamente na temática do álbum em ser ao mesmo tempo um pop acessível sem largar mão da experimentalidade. — Ítalo Mangabeira

4. "visions"

(2020)

Um dos cortes de maior destaque em how I’m feeling now, álbum de XCX desenvolvido em um incrível período de pouco mais de um mês durante a pandemia em 2020, “visions” encerra o projeto de forma espetacular. Nela, a cantora parece se conformar com a ideia do fim do mundo que permeava a atmosfera naquele ano, e a faixa serve como a trilha sonora perfeita para o apocalipse. Seu início sóbrio que reflete sobre o passado e sonha com o futuro de um relacionamento caminha para um segundo refrão libertador e um encerramento explosivo e hardcore dance assinado por A.G. Cook. É como se Charli fizesse as pazes com o medo de morrer e decidisse encerrar a sua jornada da forma que mais aprecia: se divertindo em uma rave ensurdecedora e transcendental. — Kaique Veloso

3. "Vroom Vroom"

(2015)

“Vroom Vroom” é a faixa título do único EP presente na discografia de Charli, sendo a primeira de quatro músicas que formam o primeiro projeto em que a cantora explora o “hyperpop” — embora ela mesma se recuse a chamar a vertente mais excêntrica do pop assim —, que a seguiu por toda sua carreira a partir de 2016. A música também marca sua primeira (de muitas) colaborações com SOPHIE tanto na produção quanto na composição. A faixa traz com si o sumo do que Charli acredita — ou acreditava — ser o pop, uma letra divertida e um ritmo dançante pensado para baladas noturnas, fórmula seguida por ela até hoje. Outra das coisas preferidas da cantora britânica: o uso de carros como metáfora, nesse caso, para a diversão, sexo e fuga da realidade — uma noite inteira em compania de “suas garotas”, fugindo de problemas e causando varios outros, não soa como a ambientação perfeita para uma das melhores músicas pop produzidas nesse secúlo? — João Dall’Olio

2. "forever"

(2020)

“forever” é, ao mesmo tempo, uma das melhores músicas lançadas em todos os onze anos de carreira de Charli e a música que melhor descreve o how I’m feeling now, quarto álbum da cantora produzido unicamente na pandemia. Charlotte aproveitou para jogar tudo que estava em sua cabeça durante uma das épocas mais difíceis da vida de qualquer um; além do óbvio como a solidão crônica que assombrava todos ou o medo da morte, o amor intenso usado como forma de escapismo de toda essa realidade apocalíptica é um dos temas mais recorrentes do projeto. E, com a dependência, a insegurança é praticamente garantida. Charli faz uma jura de amor para Huck Kwong, seu namorado da época, transformando a música em uma forma de superação. É claro que ela ainda tinha medo de perdê-lo, mas decide dizer em “forever” que o amará para sempre, mesmo quando não estiverem mais juntos. Não só nessa música a superação de inseguranças é um tema e, por isso, se torna impossível falar de Charli XCX e how I’m feeling now sem falar de amor — e falando de amor, é impossível não citar “forever”. — João Dall’Ollio

1. "Track 10"

(2017)

Pop 2 é um dos registros pop mais importantes dos últimos tempos. Charli XCX aciona uma construção potencialmente autodestrutiva que arranca a bandagem do comodismo e escancara um delírio de prazer hiper e super eletrônico. A partir de sintetizadores oníricos, a mixtape fita a música pop dos anos 2000 e início da década 2010 e se predispõe a maximizar uma estrutura desgastada e saturada, condicionando uma faceta repaginada por uma visão futurista. Mas ela está mais interessada em festejar com hinos amplificados por distorções e modulações eletrônicas agudas do que qualquer outra coisa, garantindo irreverência à persona femmebot

Dentre várias faixas de destaque, Aitchison deixou o melhor para o final. Para além de ser a canção mais grandiosa do trabalho, “Track 10” também é o máximo de excelência já alcançado pela artista — e ela possui inúmeros picos de destaque, esta lista contempla alguns deles. A produção rarefeita, com vocais em coro de sintetizadores, acompanha a lírica numa jornada conflitante com o amor.  Trabalha-se uma dicotomia entre querer estar próximo de alguém, mas não conseguir lidar com a carga vulnerável que acompanha. Pelas repetições essa insegurança fica ainda mais realçada: o trecho “I blame it on your love” traz essa ideia de culpar o amor por erros próprios. Atribuindo peso a uma relação amorosa e como ela impacta na vida, a produção eufórica aproveita para brincar, novamente, com contradições. Isso aparece com seu início mais angelical e limpo, porém com sua voz já devidamente modificada; até ficar mais agressiva e intensa com a chegada do refrão.

Quando uma repetição poderia ser excessiva, sob a lógica da intensidade e para representar um desgaste pessoal, as peças ficam excepcionalmente acertadas e condizentes. Não se precisa de muito para mergulhar no conflito a partir dos vocais processados e da produção metálica, basta se render ao electropop convencional adaptado com um toque de estranheza e muito, muito atrevimento. Camadas e texturas densas, executadas pela própria voz, garantem à faixa uma aura imaculada, como se fosse sobre-humana. Mas a característica do humano vem em reconhecer sua vulnerabilidade, mesmo que não saiba lidar com ela. Porque mesmo nessa ligação tecnológica, filtrada e quase irreal, o sintético é balanceado com existencialismo, sendo “Track 10” um triunfo; não só para Charli XCX, mas para a música pop. — Gustavo Rubik

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