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CRASH Tour (Live) Glastonbury Festival 2022

5/5
A nova turnê de Charli XCX inaugura um período de reconhecimento importante em sua carreira: ela está no topo da música pop.
POR Matheus José
setembro 19, 2022

Um dos episódios mais emblemáticos da carreira de Charli XCX aconteceu em 2013, quando a artista tentou animar o público do MELT Festival, na Alemanha. Naquele dia, a multidão que assistia ao seu show parecia tão gélida que Charli, ao cantar um de seus maiores sucessos, “I Love It”, se viu inconformada com a plateia completamente esvaziada de emoções. “I thought this fuckin song was big in Germany? What the fuck are you doing? Come on! AHH!!!”, gritou ela na tentativa de causar ânimo aos que estavam ali presentes. O momento ficou eternizado como meme na internet, e desde então, Charli nunca mais pisou em um palco sem que fosse para fazer história.

Em sua recente participação no 50° aniversário do festival Glastonbury, na Inglaterra, Charli XCX ofereceu um show  enxuto, mas repleto de destaques. Promovendo o álbum CRASH, a artista mesclou o passado com o presente, alternando entre hits e canções menos conhecidas, mas que, ainda assim, se encaixaram perfeitamente nos moldes da apresentação: um show que somente uma pop star de qualidade como ela seria capaz de entregar.

Sem uma grande estrutura, XCX conta apenas com um telão de led, dois pilares gregos e uma escadaria que, apesar de simples, foi bem utilizada, principalmente, na hora de dar uma dimensão maior ao espaço preenchido por ela e seus dois dançarinos de apoio. De início, a impressão de um show modesto logo é contraposta com uma experiência tempestuosa, porém, única. “Lightning”, então, abre o show com raios, relâmpagos e trovões, tudo feito em grande estilo, um momento importante para a carreira de Charli, que embora tenha feito diversas passagens por festivais famosos e percorrido o mundo com a sua agenda de shows da Charli Live Tour (2019 – 2020), nunca ela havia de fato organizado uma atração como vemos agora, em que a sua simbologia definida pelo poptimismo parece alcançar outro patamar.

Na sequência, temos “Gone”, com uma versão oitentista feita para combinar com a atmosfera nostálgica de CRASH; seguida por “Move Me”, uma das melhores músicas do ano e também responsável por abrir alas para o primeiro ato que, por sua vez, é encerrado com “I Love It”, faixa em que os versos são proclamados com força e fôlego pela plateia — algo muito diferente do que aconteceu em 2013 —, e que agora, nos mostra o quão sólida se tornou a presença de Charli nas beiradas do cenário pop mundial. Já no segundo ato, apesar da maior quantidade de faixas, o show se resume na artista ganhando força a partir de algumas manobras arriscadas (ela sabe que os seus fãs anseiam por “Vroom Vroom” e por isso instiga todos com roncos de motores o tempo todo). 

Um dos pontos altos da apresentação fica por conta de “Yuck”, “Used to Know Me” e “Beg For You”, canções das quais a produção, rica em texturas, animam o público sem muitos esforços. Depois delas, “Boys” desponta com uma transição robótica no melhor estilo Pop 2 para “New Shapes”, que faz valer cada segundo de espera, pois, de maneira especial, Caroline Polachek aparece no palco e canta a sua parte na música ao passo que prova de vez o motivo de ser a escolha perfeita para essa parceria. Como se não bastasse este agrado, finalmente, “Vroom Vroom” surge na setlist, esse momento icônico é registrado com a euforia dos fãs. Charli sabe o quão essa canção mudou a sua e a vida de muitos que a acompanham.

Por fim, “Visions” começa a sinalizar o final da apresentação enquanto Charli rola pelo chão e a plateia se esgoela e aplaude o seu empenho enérgico oferecido com toda dedicação do mundo. “Good Ones” encerra de vez aquilo que teve início para nos mostrar como um show de música pop deve ser feito. Charli XCX rompe os tratados de uma artista alternativa; ela nasceu para ocupar os palcos. 

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