“Western Wind”
2022 • POP • INTERSCOPE
POR LEONARDO FREDERICO; 06 de MAIO de 2022

Avaliação: 3.5 de 5.

Há duas formas de conhecer Carly Rae Jepsen: a primeira por sua canção de maior sucesso, “Call Me Maybe”, que, no começo da década passada, estourou em todas as paradas, mas que, rapidamente, se tornou saturada; a segunda maneira é pelo restante de sua discografia, que trabalha em torno de moldes do pop que, embora não se divirjam do restante, soam quase singulares, principalmente seu registro EMOTION, de 2015, um dos discos pop mais fortes dos últimos anos. Jepsen, em outras palavras, foi marcada por uma de suas músicas mais fracas e que raramente consegue vingar o restante de sua obra. 

No entanto, apesar disso, nos últimos anos, percebeu-se um movimento acolhedor, capaz de entender que Carly ia muito além de uma música de 2012. Esse se iniciou, principalmente, depois que EMOTION ganhou seu título de clássico pop contemporâneo, durante o período do lançamento de Dedicated, de 2019, que, apesar de não ser tão potente quanto seu antecessor, ainda jogava pelas cartas certas. “Western Wind”, o primeiro single do quinto e próximo disco de Jepsen é, provavelmente, a primeira canção que vai tirar proveito de toda persona que Carly construiu e adotou. 

Da mesma forma que aconteceu na transição de EMOTION para Dedicated, em “Western Wind”, Rae muda suas bases e tonalidades sonoras. Ela soa diferente de tudo que já fez, mas ainda assim é fortemente familiar. Com percussões que lembram Women in Music Pt. III, de HAIM, puxões em baixo e sintetizadores cintilantes, Jepsen traça uma faixa que carrega a sensação dos primeiros dias de verão. Na composição, ela narra sobre se apaixonar e todo o contexto do surgimento de uma faísca entre duas pessoas. “Take me back into your corner / To the center of the room we made a dancefloor / I was charmed to let go”, ela canta. Embora esse novo single não seja tão memorável quanto os outros de Carly, ele tem um viés que nenhum outro teve, uma energia renovadora e promissora.