Proof
2022 • K-POP/POP • BIG HIT
POR MATHEUS JOSÉ; 15 DE JUNHO DE 2022
5.0

Em entrevista à Entertainment Weekly, em meados de 2019, o líder do BTS afirmou que o grupo jamais cantaria em inglês, uma vez que ao fazerem isso, eles estariam abandonando a identidade coreana de suas músicas. Ele disse: “não queremos mudar nossa identidade ou nossa autenticidade para chegar ao número um”, RM continua: “Se de repente cantarmos em inglês, mudando todas essas coisas, então não será o BTS”. Entretanto, passado pouco mais de um ano depois dessa afirmação, o grupo lançou “Dynamite”, a sua primeira faixa totalmente em inglês e mirada para o topo da Hot 100. Esse fato, por si só, nos mostra o quão eles e os fãs são entorpecidos por qualquer vestígio de sucesso, fazendo crer que a falta de rumo e a impolidez são duas coisas que passam de ídolo para fã, através de osmose. 

Aliás, não há nada que represente o BTS mais do que os seus fãs. É graças a eles que o grupo dispõe de um impacto comercial avassalador e, ao mesmo tempo, assustador. Se observarmos a cultura dos fãs ao longo da história, passando por fenômenos como os The Beatles, Backstreet Boys e One Direction, veremos que nenhuma base desses artistas chegaram perto da que sustenta o BTS. Porém, podemos notar um claro distúrbio neste espectro: todos os grupos, ou bandas conhecidas mundo afora por terem tido fãs fora do normal, tiveram pelo menos, um repertório conhecido e de sucesso, algo que, infelizmente, não acontece com o BTS.

O novo disco do grupo, Proof, surge com a intenção de mostrar que eles verdadeiramente possuem uma carreira musical de destaque, dignos de serem compilados em uma antologia, o que realmente faz sentido se olharmos para as antigas canções situadas neste projeto e que datam o período em que o mercado sul-coreano ainda era o foco deles. Após isto, quando a indústria estadunidense passou a ser a maior motivação, tanto do BTS quanto da Big Hit, podemos notar uma queda brusca na qualidade servida em seus trabalhos. Essa queda fica visível na sequência de faixas que começa com os clássicos “Danger”, “I NEED YOU”, “Burning Up (FIRE)”, “Blood Sweat & Tears”, “DNA”, “FAKE LOVE” e, depois, nos deparamos com peças das quais, apesar dos números presenteados pelos fãs, são tão sem vida quanto qualquer projeto lançado posterior ao álbum Love Yourself 轉 ‘Tear’. Nesta empreitada de péssimas músicas, temos “Dynamite”, “Life Goes On”, “Butter” e “Yet To Come (The Most Beautiful Moment)”, sendo essa última, o mais recente trabalho de promoção feito pelo grupo.

A música, em tese, seria a grande responsável por representar tudo feito pelo BTS ao longo desses 9 anos de muito sucesso. Porém, com vocais pouco trabalhados e um ritmo tão apagado, fica difícil entender o motivo que eles escolheram justamente essa faixa. Uma das justificativas seria a letra, que soa como uma despedida: “o melhor momento ainda está por vir”, teoria confirmada após o anúncio de hiatus feito por um dos integrantes nesta terça-feira 14 de junho. Outra canção inédita que chama atenção é “Run BTS”, construída a partir de um instrumental excelente, mas que encontra claros problemas nas vozes dos membros, o que certamente prova que um hiatus pode ser uma boa hora para os cantores tirarem um tempo para melhorar essa questão, que nos últimos lançamentos, segue sendo o maior problema do grupo além da falta de vida das faixas feitas para pegar o topo da Billboard Hot 100.

Com 48 músicas selecionadas e uma divisão em três atos, o disco, infelizmente, não consegue render nada distante da nostalgia encontrada nas antigas canções do grupo. Como uma antologia de sucessos, Proof é devidamente esquecível, muito provavelmente, poucas pessoas além das armys irão se dar ao trabalho de ouvir todas as faixas colocadas aqui, o que, mais uma vez, traz à tona o problema de ser um artista 100% sustentado por uma bolha de fãs.