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"the record"

2023 •

Interscope

boygenius te acerta no estômago mais uma vez.
boygenius - the record

"the record"

2023 •

Interscope

boygenius te acerta no estômago mais uma vez.
24/01/2023

A banda boygenius marca seu retorno após quase 5 anos desde seu primeiro e único EP autointitulado. Desde o início, boygenius já é uma reunião subversiva, por assim dizer, já que seu nome vem como uma sátira aos homens que são tão confiantes de si e recebem cumprimentos exacerbados pelo simples fato de fazerem o mínimo. Elas [boygenius] querem ser tratadas como as grandes bandas e pequenos garotos, com a mesma reverência — exceto pelo fato de que elas executam muito além do mínimo e na fronteira do sublime. O single triplo representa, nesse sentido, o que há de melhor em cada uma das integrantes, Julien Baker, Lucy Dacus e Phoebe Bridgers, tanto em relação à composição quanto à progressão das músicas. Em fato, parece quase certo que a sua volta se dê não com uma, mas com três músicas de uma vez só: cada uma das faixas tem alguma característica particular de cada parceira e soa como se estivesse em seus respectivos álbuns —Turn Out The Light, Stranger in the Alps e Historian, em ordem.

“True Blue” é a melhor canção aqui. Ela é o resumo de alguém acostumada ao cataclismo pessoal. No entanto, como um castelo de areia que se ergue sozinho em si mesmo impressionantemente, Lucy — a principal membro responsável por essa faixa — é sensível às ondas fortes de seu interesse amoroso, que sofre de uma inconstância emocional, dividida entre a tristeza e a felicidade, e incertezas sobre a própria vida. Com “When you don’t know who you are / You fuck around and find out” em seu anzol, ela te fisga inevitavelmente boquiaberto. Na realidade, esse verso parece uma resposta a “Emily I’m Sorry”, peça centrada em Bridgers e seu storytelling melancólico que relata a perspectiva daquele que decepciona a si mesmo e aos outros com seus conflitos internos e crises de identidade: “I’m 27 and I don’t know who I am”. Nesta, quando a personagem tenta solucionar tais impasses, os elementos se relacionam de forma simbiótica e paradoxal: “I’ll get a real job, you’ll go back to school / We can burn out in the freezing cold”. Diferentemente, em “$20”, cuja lente aproxima-se de Baker, a vida adquire um senso de urgência e um imediatismo adolescente, enquanto Julien arremata seus versos relembrando sua juventude numa cidade em que não havia muito a se fazer senão ser uma criança gótica que incendeia coisas pela adrenalina da fuga. No álbum dos quais os retalhos aqui se apresentam, the record, incorporam-se, de Baker, o frenesi com a iminência do fim do mundo; de Bridgers, a solitude com a realização da catástrofe; e, de Dacus, a descritividade poética, como quem conta a história de como o mundo acabou.

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