Take the Sadness Out of Saturday Night
2021 • ALTERNATIVO/POP • RCA
POR LEONARDO FREDERICO; 10 de AGOSTO de 2021
6.3

Nos últimos anos, Jack Antonoff se transformou em uma espécie de guru musical. Todos os grandes e pequenos artistas largaram a maioria de seus produtores, muitos deles consagrados há décadas, para colocar todas as suas esperanças nas mãos de Jack. Tudo isso começou em 2013 quando Antonoff começou a trabalhar com Taylor Swift como co-compositor e co-produtor da canção “Sweeter than Fiction” e, posteriormente, como grande elemento criativo no álbum 1989, de 2014. Em uma entrevista para o The New York Times, ele disse que Swift foi a pessoa que impulsionou a carreira dele. “Antes de Taylor, todos diziam: ‘Você não é um produtor’. Foi preciso Taylor Swift dizer: ‘Gosto de como isso soa’”, ele ressaltou. E desde então, Jack vem tendo participação em grande parte dos melhores projetos recentes, como Norman Fucking Rockwell! e Chemtrails Over the Country Club da Lana Del Rey, folklore da Taylor Swift, Melodrama da Lorde e até mesmo Gaslighter, a volta quase triunfal da Dixie Chicks sob o novo nome artístico, The Chicks. Em apenas 5 anos, Jack se envolveu em cerca de 25 álbuns. 

Mas o que acontece quando você gasta toda sua energia com os outros e deixa apenas migalhas para o seu próprio trabalho?

Take the Sadness Out of Saturday Night, o terceiro álbum do projeto solo de Antonoff, é a resposta para isso. Os dois últimos anos foram extremamente desgastantes para Jack graças à quantidade maçante de projetos que ele se envolveu. Ele chegou ao ponto em que começou a se perder entre as barreiras artísticas e começou a produzir as mesmas sonoridades para artistas diferentes — como “Stoned at the Nail Salon”, nova música de Lorde, que soa idêntica a “Wild At Heart” de Lana Del Rey. O pior de tudo isso, todavia, é como esse cansaço criativo e saturação sonora reflete nos projetos pessoais dele. Take the Sadness Out of Saturday Night, no caso, possui uma parte que soa como algo não concreto devido à falta de tempo para construir um melhor desenvolvimento, e a outra como o resto do que ele produziu para as outras pessoas. 

No primeiro caso podemos observar que Antonoff tentou capturar uma energia jovem e minimamente selvagem. Em uma entrevista para o The Needle Drop, ele disse que o álbum representa aquele momento em que você vê as grandes coisas em sua vida, mas ainda não é capaz, forte o suficiente para alcançá-las. Porém, por mais que o álbum tente adotar essa essência que muitos sentem na transição da adolescência para a vida adulta, ele não consegue concretizar nenhum sentimento de forma completa. Na verdade, fica parecendo, durante grande parte, que toda a estética que Antonoff seguiu aqui está perdida no meio do caminho entre uma homenagem, uma cópia genérica e algo realmente novo. 

“How Dare You Want More” é o melhor exemplo disso. Enquanto os vocais de Jack são sintonizados em uma frequência que faz a voz dele sair de um filme de comédia dos anos 1980, as cordas sutis, as percussões tímidas e um saxofone brilhante compõem a sonoridade da faixa. Por mais que não seja nada totalmente diferente, o pior dessa faixa é que ela não parece se entender como uma tentativa de inovação ou uma cópia direta. Todavia, essa faixa continua sendo muito divertida e cativante, em conjunto com “Stop Making This Hurt”, que conta com a produção mais detalhista e apurada do disco; “Big Life”, que mostra Antonoff cantando em um parque de diversão; “Don’t Go Dark”, aonde ela soa como Springsteen nos últimos segundos; e “45”, um hit orgânico que, infelizmente, parece durar mais do que deveria. 

Contudo, o que mais incomoda no disco é como as escolhas sonoras de Jack em prol de um som que tenta ser, simultaneamente, distinto e facilmente remanescente acabaram simplesmente estragando algumas faixas. Isso se concentra principalmente nas duas colaborações de Take the Sadness Out of Saturday Night. Enquanto “Chinatown”, com Bruce Springsteen, sofre com os efeitos nos vocais que fazem os versos de Antonoff soarem fracos e Springsteen soar como qualquer coisa menos como ele mesmo, “Secret Life”, com Lana Del Rey, até consegue entregar uma versão melhor de Jack, mas faz Del Rey parecer uma voz sintética. No segundo caso, podemos observar as duas últimas músicas que parecem o resultado da mistura das migalhas dos últimos trabalhos de Jack. “Strange Behavior”, por exemplo, parece a releitura de alguma música do folklore e “What’d I Do With All This Faith?” é totalmente esquecível. Por fim, até mesmo a faixa de abertura do disco, “91”, apesar de sua letra muito intimista, acaba soando bem mais como algo inacabado e que precisa de polimento do que algo finalizado que está tentando, simplesmente, ser diferente. Enquanto ele canta: “Oh, someone new walks along, steals the weight from your war / Flickers of light and you’re sure that you have been here before / Oh, she could have anyone, but she’s asking after your dreams,” suas cordas, percussões e sopros soam como que veio direto para o disco, sem passar pela fase de mixagem. Talvez, em um futuro próximo, Jack aprenda que precisamos, às vezes, nos colocarmos na frente de outras pessoas.