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BORN PINK

2022 •

YG

3.8
O ostracismo musical e o empobrecimento artístico fazem do BLACKPINK um verdadeiro desperdício para o k-pop.
BP A (1)

BORN PINK

2022 •

YG

3.8
O ostracismo musical e o empobrecimento artístico fazem do BLACKPINK um verdadeiro desperdício para o k-pop.
20/09/2022

Atualmente, o BLACKPINK é o maior grupo feminino de k-pop do mundo. Esse fato, além de colocar elas em uma posição importante na popularização dessa indústria, também faz com que pensemos sobre a ótica pela qual as pessoas não familiarizadas com algumas características da música pop sul-coreana costumam enxergar todo esse cenário. Por muito tempo, o k-pop foi visto como uma cópia genérica daquilo que rondava os aspectos musicais do pop ocidental. Esse tipo de preconceito perdura até mesmo nos dias de hoje e, a solução para ele, supostamente, estaria na forma em que os grupos considerados “cartões postais” poderiam apresentar elementos estéticos, sonoros e culturais que servissem de gancho para mostrar ao mundo tudo aquilo de interessante que há no k-pop.

Infelizmente, a competição, um fator alimentado pelas próprias empresas de entretenimento na Coreia do Sul, impede com que essa união por um bem maior seja feita. E o capitalismo, que sempre esteve presente nesta indústria, cumpre perfeitamente o seu papel de transformar a arte em produto. É neste contexto que o BLACKPINK se move, e como resultado, BORN PINK, o segundo álbum completo do grupo, se revela um conglomerado de erros.

Ao começar pela abordagem batida do girl crush, um conceito que tende a se repetir exaustivamente em tudo aquilo feito pelo BLACKPINK desde que estreou. Somado a isto, o pouco — quase nenhum — propósito musical, rende nada além de algumas pinceladas superficiais em ritmos que se estendem pelo disco. Veja, por exemplo, a distância entre “Typa Girl”, uma canção de hip-hop que é introduzida com um órgão ao passo que se desmantela em versos bobos (“Você não sabia que era frio até você sentir o meu calor”, canta Rosé no pré-refrão); e “Yeah Yeah Yeah”, faixa retrô que conta com sintetizadores oitentistas para permear a ideia de ecleticidade ao material proposto por elas após um longo período sem lançar nada. Essa incoerência, torna-se presente a todo instante. Não há mal algum em explorar diversos gêneros ao mesmo tempo, mas, infelizmente, fazer isso de forma superficial não é uma coisa que irá garantir um resultado positivo. 

Essa superficialidade fica ainda mais evidente na faixa-título, “Shut Down”, que na tentativa de se unir aos clássicos “TRI-ANGLE” do TVXQ!, “Summer Rain” do GFRIEND e “Feel My Rhythm” do Red Velvet, também busca criar algo novo partindo de arranjos e melodias já conhecidas da música clássica. Aqui, a escolha foi “La Campanella” de Paganini, obra marcada pelo violino afoito e que certamente, não teve um bom uso nas mãos do produtor TEDDY. Com uma atmosfera quase sombria, ritmo segmentado e batidas secas, a canção perde todo o sentido e, embora pareça contagiante, ela não passa de um hip-hop amargo e visivelmente oco, diferente, no mal sentido, daquilo feito por outros grupos quando resolveram se basear na erudição antológica para trazer bons ares ao k-pop.

Aliás, esse é o principal problema de BORN PINK. Mesmo que o projeto seja caracterizado por aspectos técnicos genéricos, repetitivos e frívolos, o seu maior erro vai além de qualquer característica musical. É triste ver que o empobrecimento artístico se tornou um atributo inalienável de grupos extremamente populares como o BLACKPINK, que, ao invés de elevar o patamar do k-pop, elas acabam representando tudo de pior que existe nesse meio. Este fato é, essencialmente, um consenso proveniente da perda real de significado artístico. Mais do que isso, esse é o resultado de um processo comum no capitalismo, que já era visto nos primórdios de formação do k-pop lá nos anos 90 e que se mostra presente em qualquer indústria cujo objetivo de lucrar acaba estabelecendo condições produtivas vazias de significados. 

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