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HIT ME HARD AND SOFT

2024 •

Darkroom / Interscope

8.6
Rodeada por frustração e desejo, Billie Eilish triunfa com uma excitante miscelânea de sonoridades.
billie eilish - hit me hard and soft

HIT ME HARD AND SOFT

2024 •

Darkroom / Interscope

8.6
Rodeada por frustração e desejo, Billie Eilish triunfa com uma excitante miscelânea de sonoridades.
18/05/2024

HIT ME HARD AND SOFT é o trabalho mais bem direcionado de Billie Eilish. Não que antes ela e seu irmão FINNEAS não soubessem o que queriam fazer, até porque Happier Than Ever também é um ótimo disco, mesmo que acometido pelas várias ideias e direções que a dupla queria explorar: num momento ele quer ser introspectivo, no outro, enérgico. O que muda muito de figura no terceiro álbum da artista. Na verdade, ainda se trabalha com esses mesmos espaços, mas agora eles estão mais bem-dispostos e conseguem ser harmônicos, mantendo ainda a diversidade de sons.

Desde que chegou ao mainstream de forma tímida, mas rapidamente se tornando arrebatadora, Eilish tem evoluído bastante sua sonoridade. O cantar sussurrado pelo qual é reconhecida está presente em todos os momentos, mas sempre embebido de muita técnica. Manter o equilíbrio em tons mais suaves também demanda habilidade, da qual ela tem de sobra. Assim como, se expressar com mais energia não é um problema, a cantora provou isso com a poderosa “Happier Than Ever” quando sai gradativamente de sons acústicos para o rock da ponte cantada aos gritos. No novo material, “THE GREATEST”, tenta a mesma brincadeira, demonstrando sua habilidade vocal em tons mais altos que os habituais em suas músicas.

Quanto à sonoridade, HIT ME HARD AND SOFT experimenta uma simbiose eletrizante de folk, rock e pop eletrônico. Falar desses gêneros em um álbum de Billie não é uma novidade. Esse disco não representa nenhuma grande mudança, mas o que varia é a abordagem, a forma de se expressar e de realizar algo diverso dentro do que já é característico. Esse é o grande diferencial, evidenciando como a produção inteligente e experimental dos irmãos O’Connell tem força transformadora. Congregando esse mosaico de gêneros, a produção consegue ser muito inventiva com as mudanças de direções; como a virada de “L’AMOUR DE MA VIE”, que transita de um tom mais acústico dos dedilhados de violão para um surpreendente ato synthpop de discoteca. Tudo coexiste no mesmo espaço; o que mais anima no projeto são essas seções divergentes em uma mesma canção, mas que não soam dispersas e confusas porque as transições conseguem condensar toda essa diferença. “BITTERSUITE” e “BLUE” também são exemplos de canções que transmutam sonoridades.

Junto à musicalidade variada, a lírica também sofre mudanças. Se fosse resumi-la a uma só palavra, seria sexualidade; Eilish está cada vez mais aberta a falar sobre fazer parte da comunidade LGBTQIA+. “SKINNY” inicia o álbum partindo de um lugar de muita angústia, com a cantora refletindo sobre ter chegado aos 21 anos (agora ela tem 22), e sobre como a fama tem impactado a vida dela: “Am I acting my age now? / Am I already on the way out? / When I step off the stage, I’m a bird in a cage / I’m a dog in a dog pound”. O violino melancólico da saída da canção se converte para uma eletrizante faixa acompanhada de teclados lustrosos e acordes de guitarras viciantes chegando com “LUNCH”. Esse é o momento em que a cantora coloca as cartas na mesa expressando seu desejo em fazer qualquer coisa para a garota que ela está apaixonada. Ainda nessas transformações, o baixo empolgante de “CHIHIRO” se transfigura em uma música devidamente eletrônica na ponte, enquanto a intérprete reluta sobre um relacionamento que não funcionou: “I don’t, I don’t know why I called / I don’t know you at all / I don’t know you / Not at all”.

Como um ciclo, a melodia do violino de “SKINNY” é utilizada nos vocais finais de “THE GREATEST” — esta funciona como um momento de ápice divisório no disco. O mesmo violino retorna ainda para encerrar o álbum com uma saída em “BLUE”, sendo satisfatório o zelo e o cuidado que se tem com a narrativa; composta também por ciclos e recomeços. Rodeada por frustração e por desejo, Billie Eilish triunfa com uma excitante miscelânea de sonoridades. A fiel dupla de irmãos merece parabenização por terem entregado um material tão singular e exuberante de personalidade. Na verdade, essa sempre foi a veia artística da cantora. Ela, por destreza, vem conseguindo mantê-la sem muitos deslizes e HIT ME HARD AND SOFT com certeza deve se destacar em meio a outros discos de pop atuais; basta se aprofundar e mergulhar de cabeça. 

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