Versions of Me
2022 • POP • WARNER RECORDS
POR MATHEUS JOSÉ; 13 DE ABRIL DE 2022
1.6

Não é uma tarefa difícil olhar para a carreira de Anitta e ver como ela se tornou uma artista embaraçosa e extremamente perdida no seu campo artístico. Desde que começou a sua busca incessante por um reconhecimento internacional, a brasileira foi, aos poucos, se entregando aos modismos baratos da indústria estadunidense com a finalidade de conquistar migalhas do público estrangeiro. Apostando em sons cada vez mais genéricos, nada feito por ela nos últimos anos parece estar perto do que a mesma criou quando se aventurava no funk e no pop nacional que marcou a década de 2010. Infelizmente, em seu quinto álbum de estúdio, Versions of Me, Anitta prova que perdeu o rumo de vez.

Depois de alcançar o topo do Top 50 Global do Spotify, em que contou com o esforço dos fãs e admiradores brasileiros para alcançar este feito, Anitta, juntamente da sua equipe, tiveram que correr contra o tempo para que o então novo disco fosse lançado para aproveitar o hype do #1. Desse modo, a cantora teve que abandonar tudo programado acerca do aguardado Girl From Rio, um projeto do qual ela passou meses comentando e dizendo, seja em entrevistas ou para os fãs, ser o ultimato que iria consolidar o seu avanço no mercado internacional. Essa pressa, ou melhor, essa vontade intrínseca de tentar a todo custo fazer um barulho lá fora, fez com que Anitta acabasse buscando caminhos que nem mesmo ela seria capaz de trilhar.

O mais interessante — ou não — disso tudo é que Versions of Me surge da mesma proposta de Kisses, de 2019, em que a própria Anitta o descreveu da seguinte forma: “São 10 músicas com um videoclipe para cada uma. Cada uma delas representa um tipo diferente de Anitta que existe dentro de mim”. Buscando apresentar as suas várias facetas em faixas diferentes uma da outra, ela, vendo que este conceito era o mais fácil e rápido de ser aproveitado, não pensou duas vezes antes de utilizá-lo. Eis que então, o claro desespero somado ao conceito batido já explorado anteriormente fazem com que Versions of Me seja um verdadeiro ato falho. Da capa, extremamente tosca e cafona, passando pelo nome, que sem dúvidas, é o mais básico e superficial que a artista pensou quando tinha que formular algo nos quarenta e cinco do segundo tempo, tudo, absolutamente tudo, nesta obra parece não funcionar como deveria.

As músicas, em sua grande maioria, são apenas um amontoado de letras básicas banhadas por uma produção minimamente interessante. Exemplo disso é o single “Envolver”, responsável por abrir a obra e que, merecidamente, é um grande hit, já que consegue ser acessível e viciante, porém, segue sendo nada além do esperado. Tanto essa, como também as outras canções lançadas anteriormente, são as várias tentativas que Anitta fez para chamar a atenção do público. Entre elas, “Boys Don’t Cry”, uma das que menos combina no contexto geral. “Girl From Rio”, que não é nada inovadora, até tem o seu charme e daria certo se o restante do álbum não fosse um desleixo sem tamanho. “Faking Love” é cativante, mas soa sem vida para quem busca apresentar alguma versão de si próprio. “Me Gusta”, por sua vez, não tem alma e parece que já morreu há bastante tempo: essa peça, em parceria com Cardi B, é uma das piores coisas que Anitta já fez na vida. Batidas secas e sem contraste nenhum, formam a base do que é cantado da maneira mais horripilante possível. Para piorar, a convidada que deveria ser um destaque, acaba piorando tudo de uma vez só em um rap totalmente dispensável.

Das músicas inéditas, infelizmente, nenhuma se destaca. A única canção cantada em português, “Que Rabão (feat. Mr. Catra)”, seria algo interessante se Anitta tivesse capacidade de gerar empolgação caso fizesse um disco todo focado no funk carioca. Mas, aqui, por mais que seja uma curiosa colaboração com alguém já falecido, a faixa soa descartável e sem o menor sentido. Da mesma forma acontece com “Gata (feat. Chencho Corleone)”, um reggaeton que não cabe no reportório; “I’d Rather Haver Sex”, com melodias acentuadas e um barulho desprimoroso de cama rangendo; ou por fim, “Versions of Me”, que corresponde perfeitamente a ideia do projeto de mostrar uma versão oca, frívola e insignificante de Anitta.

No final das contas, o grande movimento de Anitta, acaba sendo um passo em falso. Enquanto ela continuar tentando conquistar olhares internacionais e fazendo isso com base no que há de mais superficial da música programada em estúdios mirados nas paradas musicais, veremos muitas outras versões dela que, essencialmente, não correspondem à artista da qual tinha tudo para ser um nome sem igual no cenário nacional. Versions of Me é um álbum que envergonha a música brasileira e joga no lixo todo histórico interessante de diva pop construído por Anitta ao longo dos anos.