2022

Dine Alone

Otherness

Otherness emerge como uma boa retomada aos anos dourados da banda.

8.0
EM 20/07/2022
 

É interessante observar que desde que o Alexisonfire estreou lá em 2001, eles passaram mais tempo em hiatus do que propriamente ativos, lançando canções e fazendo apresentações. Logo depois de se formar em St. Catharines, Ontário, a banda de post-harcore canadense entrou em uma curva de ascensão em que cada um de seus álbuns estavam ficando cada vez mais fortes e concisos. Esses eram projetos que apresentavam músicas que eram progressivamente viscerais, orbitando os arquétipos e moldes dos movimentos progressivos dos anos 1990. Em outras palavras, eles estavam seguindo uma linha de raciocínio da remediação, sendo uma fusão de uma homenagem, mas também tentando dar o seu melhor para seguir um caminho mais prolífico. Contudo, em 2011, eles romperam com essa narrativa, quando disbandaram após a saída de dois membros, Dallas Green e Wade MacNeil. O sonho se dissolveu também. 

Depois desses treze anos, Otherness, o primeiro registro deles de inéditas, emerge como uma boa retomada aos anos dourados não apenas da banda, como também dos gêneros que eles trabalham. Esse é um disco, em partes, feroz e incansável, que opta por novamente operar em torno dos clássicos modelos de faixas dos estilos alternativos, mas que não se contenta por se manter apenas no tradicional, trazendo novos elementos para suas composições, tanto líricas quanto sonoras. Embora ele se torne um pouco cansativo e perca sua dosagem por volta do meio de sua duração, ainda se caracteriza como uma ótima volta às raízes. 

Uma boa parte das canções em Otherness retornam para as tradições. Isso, de forma mais aprofundada, é a banda atuando nostalgicamente, olhando para seu passado e revivendo grande parte de suas principais características. Observe “Sans Soleil” e “Blue Spade”, ambas umas das melhores da obra. Enquanto a primeira é altamente melódica e dramaticamente romantica (You loved me when I couldn’t love myself / I couldn’t love myself”), a segunda é existencialista (“My lungs are tired / Is this what grace is?”). No entanto, as duas parecem aquelas típicas músicas dos anos 2000. Embora isso nem sempre seja uma boa coisa — como em “Conditional Love”, na qual isso resultou em algo sem personalidade —, é muito interessante como eles constroem essa sonoridade saudosista, mas sem necessariamente se apropriar de algo, mas geralmente soando como algo familiar.

Por outro lado, Otherness tem uma vertente que parece quebrar com uma certa exaustão da mesmice, transitando para novas estéticas e tendências, algumas dessas que nunca foram vistas anteriormente na banda — ou pelo menos, não tão concretas assim. O melhor exemplo disso é, talvez, uma certa linha estilística teatral. Olhe, neste caso, para as faixas que se concentram na reta final do disco. Enquanto os vocais de “Dark Night of the Soul” ressoam em tendências do opera rock, lembrando uma fusão entre o filme Rocky Horror Show e alguns trabalhos da banda Queen, “Mistaken Information” funciona sobre uma narrativa de problemas de informações, mas sonoramente remanesce de algo que poderia ser visto em 1984, tanto no livro quanto em uma adaptação cinematográfica. “Survivor’s Guilt”, por sua vez, amálgama essas características, criando a canção teatral perfeita sobre um futuro no qual máquinas controlarão os homens, com seu começo sintético eletrizante. Todavia, no final, novo ou velho, tudo parece estar no seu devido lugar… e o sonho continua.

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