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My World

2023 •

SM Entertainment

8.1
My World mostra æspa se reencontrando artisticamente — após o inconsistente Girls — em um EP com algumas das músicas de k-pop mais cativantes do ano.
aespa - my world

My World

2023 •

SM Entertainment

8.1
My World mostra æspa se reencontrando artisticamente — após o inconsistente Girls — em um EP com algumas das músicas de k-pop mais cativantes do ano.
22/05/2023

Æspa, em seu primeiro ano de carreira, trouxe uma sequência de lançamentos que, cada vez mais, mostravam elas como um dos nomes mais fascinantes do k-pop a surgir nos últimos tempos. “Black Mamba” poderia não ser uma música de grande excelência, mas o conceito apresentado por elas, além de muito bem elaborado, era um dos mais singulares e criativos da indústria de entretenimento coreana. Já “Next Level”, além de contar com melodias cativantes, apostava em uma estrutura musical bastante ousada e fora do usual, executada de forma fantástica. Com o primeiro mini-álbum, Savage, de 2021, o grupo chegou ao ápice de sua maestria, com a exploração do hyperpop no projeto sendo um grande acerto. No EP, a excentricidade da estética encontrava um perfeito alinhamento com o som que trazia consigo uma abordagem mais experimental para o cenário da música pop da Coreia do Sul.

No ano seguinte, entretanto, a SM mostrou grandes falhas no planejamento nas decisões em relação à carreira de æspa que prejudicou a qualidade do lançamento delas que viria em 2022. Em Girls, era entregue um projeto incoeso e inconsistente:  durante os seus momentos iniciais era mantido um som similar aos de seus trabalhos anteriores, porém, ao longo dele, surgiam canções que buscavam trazer algo diferente, o que quebravam a coesão sonora e fugiam totalmente da narrativa seguida nas três primeiras músicas. Meses se passaram após o segundo mini-álbum das artistas e agora elas retornam com My World, um projeto cativante, que, embora traga consigo certas características presentes no sucessor de Savage, essas são melhor executadas, eliminando grande parte dos erros de seu antecessor.

No registro, æspa segue com a narrativa do grupo relacionado ao universo criado pela SM, o SM Culture Universe. My World representa a saída das artistas de Kwangya, planeta fictício da SMCU, para o mundo real. Nesse sentido, decidiram para o projeto manter não apenas conceitualmente isso, mas também, introduzir à sua parte sonora características do conceito do mini-álbum, assim, ao mesmo tempo em que o girlgroup está em viagem para um outro planeta, sonoramente mudanças também são apresentadas em diversos momentos. Diferentemente de Girls, entretanto, o novo EP do grupo consegue trazer ótimos resultados ao trazer essa renovação artística, pois, além de fazer um ótimo uso desses novos sons, agora, é evidente o cuidado para executar isso de forma coerente com sua proposta. A faixa inicial é um excelente exemplo de uma exploração fantástica de sonoridades inovadoras. Nela, a produção eletrônica forte e intensa, característica de grande parte de sua discografia, é distanciado para explorar um pop-rock com certo viés psicodélico em “Welcome To My World”. O resultado da utilização do gênero é fascinante. A música entrega uma das instrumentalizações mais encantadoras de alguma obra de k-pop que se aventure no estilo musical: a orquestra da um ar de imponência, enquanto as diversas guitarras dão uma certa sobriedade intrigante. Ademais, a composição também é um ponto de destaque:  demonstra fascinantemente as integrantes chegando ao planeta e suas observações sobre o local o qual estão explorando: “Wherever you tread / Flowers bloom in your wake / This world created by the two of us / Gently grows, oh / With those looks that cradle each other”.

De maneira similar à “Welcome To My World”, “Spicy” mostra as artistas explorando território novo, mas mantendo-se fiel à sua essência. Essa é a tentativa que muitos grupos de k-pop fazem de emplacar um hit para o verão coreano e, para isso, apostam em canções com melodias vibrantes e radiantes que combinam com a estação. Por mais que sejam aspectos distantes do comumente apresentado sonoramente por æspa, felizmente, elas conseguem fascinantemente trazer na música algumas dessas características em sua parte melódica — especialmente, em seu pós-refrão —, ao mesmo tempo em que mantém a produção eletrônica intensa característica de grande parte de sua discografia, com os sintetizadores agressivos provenientes do dubstep. 

Em seguida, vem “Salty & Sweet”. É nessa em que elas mais se aproximam do som de seus projetos anteriores, explorando em sua produção elementos do hyperpop e do industrial bastante utilizados em Savage e também em certas faixas de Girls, principalmente em “Illusion”. Apesar de longe do primor no uso dessas influências em canções de seu primeiro EP, como “Savage”, “Iconic” e “I’ll Make You Cry”, a percussão metálica e os sintetizadores industriais da faixa soam formidáveis. Ademais, além da excelência ao produzi-la, seu gancho extremamente envolvente torna a um destaque ainda maior do projeto. Logo após, entretanto, “Thirsty” retorna a trazer o uso de novas sonoridades que marca o EP. Aqui, elas mergulham de cabeça num delicioso R&B Y2K, entrando na tendência no k-pop de elaborar lançamentos que remetam, tanto sonoramente quanto esteticamente — nos clipes musicais —, aos anos 2000, que se destaca, em especial, pela sensualidade entregue na parte lírica e sonora fascinante. 

A partir daí, apesar de ainda conseguir entregar um bom nível de qualidade, o registro perde um pouco da magnificência apresentada anteriormente. “I’m Unhappy”, apesar de bem produzida e com ótimos vocais, soa como uma versão genérica e pouco surpreendente de uma faixa com atmosfera sombria e misteriosa descartada de um disco de Red Velvet do conceito Velvet. “Till We Meet Again” finaliza com uma balada adorável, com uma performance vocal excelente das integrantes, além de uma instrumentalização bela a qual se destaca, principalmente, pelas cordas encantadoras, que demonstra, diferentemente da sensação dada por canções anteriores delas que apostaram em um som similar, como “ICU”, que, mesmo não sendo quando aespa está em sua melhor forma, elas conseguem entregar bons resultados nessa sonoridade. Pode-se dizer que, se em Girls as artistas se mostravam perdidas na narrativa do grupo, acarretando em um projeto bastante inconsistente, com My World æspa se reencontra artisticamente em um EP que traz consigo algumas das músicas de k-pop mais cativantes do ano.

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O segundo mini-álbum de aespa é incoeso e inconsistente, um disco bastante decepcionante para um grupo que havia entregado anteriormente um dos melhores lançamentos do k-pop dos últimos tempos.
E se antes haviam dúvidas de quais os rumos seriam tomados pelo aespa em seu disco de estreia, Savage além de ser a resposta, é também um firmamento.
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