2022

SM ENTERTAINMENT

Girls

O segundo mini-álbum de aespa é incoeso e inconsistente, um disco bastante decepcionante para um grupo que havia entregado anteriormente um dos melhores lançamentos do k-pop dos últimos tempos.

6.9
EM 02/08/2022

Em Savage, aespa conseguiu, por meio de uma utilização surpreendente e fascinante de uma abordagem experimental, trazer um dos lançamentos de k-pop mais excepcionais dos últimos anos. Após um disco em que foi entregue uma qualidade tão alta, era esperado que, no próximo registro do girlgroup, elas conseguissem fazer um trabalho artístico, não necessariamente do mesmo nível que seu primeiro mini-álbum, mas que fosse uma boa adição à discografia do grupo. Contudo, Girls, seu segundo EP,  em vez de mostrar algo que consiga soar tão interessante para o ouvinte quanto foi seu álbum anterior, acaba por ser um dos projetos musicais sul-coreanos mais decepcionantes de 2022.

Embora, em geral, Girls seja um disco que deixa bastante a desejar, há nele alguns pontos positivos. Um dos quesitos de maior destaque no primeiro mini-álbum de aespa era o fascinante experimentalismo entregue em suas canções. Em seu novo registro, embora essa experimentação não esteja tão presente, ainda há faixas em que se é possível observar isso, e as novas canções, igualmente às do EP de 2021, trazem algo de qualidade surpreendente ao se utilizar disso. “Girls”, por exemplo, usa fenomenalmente disso, especialmente em seu dance break, em que o girlgroup faz a utilização de excelentes camadas de sintetizadores experimentais. Já em “Illusion”, é possível se ver essa abordagem experimental sendo usada da melhor forma, misturando pop-rap com elementos do hyperpop de maneira extremamente excepcional.

Os problemas do registro surgem justamente após a terceira faixa, quando Girls foge desse experimentalismo, não que aespa apenas consiga trazer algo bom ao utilizar disso, no entanto, no caso do segundo mini-álbum do girlgroup, boa parte dos momentos que não contam com essa característica em seu som são compostos por músicas que além de trazerem nada de muito interessante em sua sonoridade, causam uma grande quebra de coesão no registro por desviarem totalmente do que foi mostrado nas três primeiras canções.

“Life’s Too Short” é onde o EP mais erra ao fugir dessa experimentalização. Ela contribui bastante para que Girls torne-se incoeso, após uma sequência de faixas com arranjos eletrônicos experimentais e ousados, ela abandona isso e traz uma canção calma e simples formada por uma guitarra acústica, algo completamente diferente ao que foi entregue anteriormente, e essa mudança brusca de sonoridade não deu certo visto que isso causa com que a coesão do mini-álbum tenha uma grande quebra. E, se já não bastasse isso, esse não é nem mesmo seu pior problema. Além disso, sonoramente ela é bastante desinteressante: a SM, empresa do aespa, tenta nela fazer o grupo atingir o mercado americano com uma música que mostra uma americanização extremamente forçada, resultando em algo básico e insosso em termos sonoros que soa como algo que qualquer cantora pop ocidental genérica poderia lançar. Fora isso, sua composição é também um ponto negativo, “Life’s Too Short” faz uma resposta a seus haters por meio de uma letra medíocre e mal escrita:

“Some people are so mean, all behind a phone screen / When we’re tryna live our lives”

“You need to get a life ’cause life’s too short / You must be bored out your mind / You should really take that nonsense somewhere else / ‘Cause you’ve got to realize (You’ve got to realize)”

Além de “Girls”, “Illusion”, “Lingo”, “Life’s Too Short” e “ICU”, a empresa do grupo decidiu incluir em Girls canções anteriores de aespa que não entraram em nenhum disco delas. Entretanto, a adição dessas é bastante desnecessária, visto que são faixas incluídas somente para inflar os streams do projeto que não contribuem em nada para o trabalho e apenas tornam o problema de coesão do mini-álbum ainda maior. Ademais, a SM poderia ter escolhido melhor as músicas antigas que iriam entrar na lista de faixas: a empresa decide colocar “Forever” no registro, um dos singles mais esquecíveis e desinteressantes já lançados por elas, enquanto poderiam ter escolhido “Next Level” para compor a lista de faixas do EP.

Girls conta com seus bons momentos, trazendo consigo algumas canções excepcionais, como “Illusion” e a faixa-título. Contudo, no geral, o segundo mini-álbum de aespa é um disco incoeso e inconsistente, sendo um projeto bastante decepcionante para um grupo que entregou, no ano passado, um dos melhores lançamentos do k-pop dos últimos tempos.

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E se antes haviam dúvidas de quais os rumos seriam tomados pelo aespa em seu disco de estreia, Savage além de ser a resposta, é também um firmamento.